José Eduardo Agualusa - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
José Eduardo Agualusa
José Eduardo Agualusa
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José Eduardo Agualusa, jornalista e escritor angolano, nascido no Huambo, em 1960. O Vendedor de Passados (2004) é o seu mais recente romance, depois de Catálogo de Sombras (contos, 2003), O Ano em que Zumbi Tomou o Rio (2002), Estranhões e Bizarrocos (com Henrique Cayatte, 2000), Um Estranho em Goa (2000), Estação das Chuvas (1997), Nação Crioula (1998), A Feira dos Assombrados (1992), D. Nicolau Água Rosada e Outras Histórias Verdadeiras e Inverosímeis (1990) e A Conjura (1989). Publicou ainda (em 1993) uma grande reportagem sobre a comunidade africana na capital portuguesa, Lisboa Africana, em colaboração com o jornalista Fernando Semedo e a fotógrafa Elza Rocha.

 
Textos publicados pelo autor
Machado de Assis e o Acordo Ortográfico

«Se, como receiam tantos portugueses, o presente Acordo Ortográfico forçar o português de Portugal a aproximar-se das variantes brasílicas não haverá nisso tanto de deriva quanto de regresso», escreve o  escritor angolano José Eduardo Agualusa na revista "Ler" de Novembro de 2008, que aqui deixamos em linha, com a devida vénia  ao autor.

Acorda, Acordo, <br> ou dorme para sempre

Participei [no dia 31 de Janeiro p. p.], na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, num debate sobre o Acordo Ortográfico — que o Brasil prometeu aplicar este ano, e Portugal também, tendo Portugal depois recuado de forma inexplicável.

Pela experiência que ganhei participando em debates públicos cheguei à conclusão de que as opiniões contrárias ao Acordo Ortográfico resultam:

[Foi inaugurada, dia 26 de Maio p.p] em Lisboa, no Parque Eduardo VII, mais uma feira do livro. Escrevo mais uma querendo dizer isso mesmo: mais uma. Mais uma que, presumo, em poucos aspectos se distinguirá das anteriores setenta e cinco.

Uma das raras iniciativas que ainda ligam o Portugal dos nossos dias ao Portugal de 1930 é a Feira do Livro de Lisboa. A mudança mais significativa nos últimos setenta e cinco anos, creio, foi a localização – a feira arrastou-se a custo, tropegamente, pa...

Dentro de poucos dias [o primeiro-ministro português] José Sócrates desembarcará em Luanda. Vem, ao que dizem os jornais, acompanhado por trinta empresários portugueses. Dizem os mesmos jornais que nos últimos quatro anos, dez mil empresários chineses visitaram Angola, o que dá uma média de dois mil e quinhentos por ano, ou seja, cerca de duzentos por mês. No último mês foram inaugurados na Ilha de Luanda dois enormes restaurantes chineses. Jantei num deles, uma construção simples mas muito ele...



Na tomada de posse do novo Governo português 1, José Sócrates 2 reservou um curto parágrafo, já no final do seu discurso, para assegurar que a lusofonia constituirá um dos vértices do triângulo estratégico da política externa portuguesa, sendo os outros dois a União Europeia e os Estados Unidos. Não explicou porquê. Creio, no entanto, que vale a pena fazer a pergunta: para que serve aos portugueses a lusofonia?

Ainda antes – o que diabo é isso?

Finalmente...