Carlos Rocha - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Carlos Rocha
Carlos Rocha
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Licenciado em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, mestre em Linguística pela mesma faculdade e doutor em Linguística, na especialidade de Linguística Histórica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi leitor do Instituto Camões na Universidade de Oxford e no King's College de Londres. Professor do ensino secundário, coordenador executivo do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacado para o efeito pelo Ministério da Educação português.

 
Textos publicados pelo autor

Não nos é por enquanto possível determinar a origem desta palavra. Mas, agradecendo a informação do consulente sobre a existência do termo, aqui fica o registo de rodrigo, substantivo masculino, «calo no pescoço devido à fricção de uma parte do violino chamada "queixeira" ou "mentoneira" com o colo», à espera dos resultados de uma futura pesquisa.

A sua sugestão tem sentido, mas parece-me que o caso em apreço não se resolve tendo em conta uma (simples?) transliteração. Há também certos critérios fonológicos e ortográficos em formas que são aportuguesamento de topónimos estrangeiros. Explico-me melhor:

a) "sekópie" é transliteração possível apenas em português europeu, porque o e átono nessa variedade é de tal modo breve, que muitas vezes cai, permitindo encontros de consoantes: por exemplo, se, entre falantes portugueses, secar soa "scar", então "sekópie" salienta-se como boa transliteração porque soa "scópie";

b) contudo, em português brasileiro (e noutras variedades), a transliteração "sekópie" é estranha, porque a fonologia do português brasileiro, continuando a do português medieval e clássico, impõe a prótese de um e em empréstimos começados por s + consoante: é por isso que Strassbourg é Estrasburgo e não "Setrasburgo", e Stuttgart é Estugarda e não "Seturgarda".

Sendo assim, continuo a achar que Escópie ou Escópia são aportuguesamentos adequados de Skopje.

Quanto às entidades ou instituições que podem intervir na fixação da ortografia da onomástica (incluindo a toponímia), já aqui nos referimos à acção da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa (ver Textos Relacionados).

Compreendo o seu argumento, mas o Acordo Ortográfico integra o k no alfabeto português, com as restrições que sobre essa letra recaíam no passado. Com efeito, no tocante às letras k, w e y vale a pena comparar o Acordo Ortográfico de 1945 (AO 1945) e o Acordo Ortográfico de 1990 (AO 1990):

AO 1945, Base II:

«1.º O k, o w e o y mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros que se escrevam com essas letras: frankliniano, kantismo; darwinismo, wagneriano; byroniano, taylorista. Não é lícito, portanto, em tais derivados, que o k, o w e o y sejam substituídos por letras vernáculas equivalentes: cantismo, daruinismo, baironiano, etc.

2.º Em congruência com a base anterior, mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros, não tolerando substituição, quaisquer combinações gráficas não peculiares à nossa escrit...

Usado pronominalmente, o verbo aparentar1 deve usar-se com um complemento oblíquo introduzido pela preposição com, como atesta o Dicionário Houaiss:

«transitivo direto, bitransitivo e pronominal. tornar(-se) ou fazer(-se) parente; estabelecer parentesco Ex.: "Deus aparentou os homens", "o casamento da filha aparentou-os com aquela nobre família", "aparentou-se com família tradicional".»

Como vemos nos dois últimos exemplos («aparentou-os com...», «aparentou-se com...»), ocorre a preposição com.

 

1 Existe um verbo homónimo, aparentar, com significação e etimologia diferentes: «que aparece, que é ou se torna visível; evidente», «quase certo; provável, verossímil», «quase igual no aspecto, na forma, na aparência; parecido, semelhante», «cuja aparência não corresponde à realidade; suposto, fictício»; é palavra surgida por via erudita, por adaptação do latim clássico apparens, apparentis, particípio presente de aparĕre, «aparecer» (Dicionário Houaiss). Este verbo não aceita a regência com a preposição com.

As duas construções estão correctas.

O verbo apoiar pode usar-se com sujeito realizado por substantivo com o traço não humano e  complemento directo preenchido por substantivo com o traço humano, como mostram a voz activa e a voz passiva do verbo em apreço:

1 – «Quatro viaturas apoiaram vinte homens.»

2 – «Vinte homens foram apoiados por quatro viaturas.»

É também possível uma construção com o particípio passado de apoiar:

3 – «Vinte homens apoiados por quatro viaturas.»

A expressão em 3 seria adequada a um título jornalístico, no qual se omitiria o verbo auxiliar da voz passiva (ser).

Este emprego corresponde a uma das acepções de apoiar registadas no Dicionário Houiass: «termo de marinha, termo militar; ajudar ou proteger, por meio de atividade ou operação complementar, ação ou operação realizada por indivíduo, unidade, grupo ou força militar». Embora «viaturas» não designe «atividade ou operação complementar», trata-de de um meio ou instrumento de ajuda ou protecção a um grupo de homens que desenvolvem determinada acção ou operação.