Carlos Rocha - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Carlos Rocha
Carlos Rocha
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Licenciado em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, mestre em Linguística pela mesma faculdade e doutor em Linguística, na especialidade de Linguística Histórica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi leitor do Instituto Camões na Universidade de Oxford e no King's College de Londres. Professor do ensino secundário, coordenador executivo do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacado para o efeito pelo Ministério da Educação português.

 
Textos publicados pelo autor

Nas fontes consultadas, encontro só as formas Tróade e Tróada (Rebelo Gonçalves, Vocabulário da Língua Portuguesa, 1966), como designação da «região onde se localizava Tróia» (ver José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa), à qual não se atribui gentílico específico. Quanto a troiano (ou Troiano), acho-o só como gentílico correspondente à cidade de Tróia, sem comentários que o definam também como designação do natural ou habitante da Tróade.

Nos compostos em que intervém o advérbio mal, este é seguido por hífen apenas se o segundo elemento de composição começar por vogal ou h1. Tendo em conta que absorção e absortivo são formas legítimas (pelo menos, estão dicionarizadas; cf. Dicionário Houaiss e Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado), deverá, por conseguinte, escrever-se mal-absorção e mal-absortivo, porque os segundos elementos começam por vogal.

1 No Acordo Ortográfico de 1945, Base XXIX, lê-se:

«10.°) compostos formados com os prefixos com e mal, quando o segundo elemento começa por vogal ou h: com-aluno; mal-aventurado, mal-humorado; [...]»

No n.º 4 da Base X do Acordo Ortográfico de 1990 mantém-se a mesma regra para mal-:

«Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante. Eis alguns exemplos das várias situações: bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado; mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado; bem-criado (cf. malcriado), bem-ditoso

Não encontro este topónimo no Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado. Não sabendo de outras fontes de consulta que permitam esclarecer de alguma maneira a história da toponímia portuguesa, o mais que posso fazer é remeter o consulente para uma página que dá conta de uma história popular sobre a origem de Pêro Neto.

Em português não existe gentílico dicionarizado, o que não surpreende, porque hoje o nome Carníola só em contextos eruditos se usa, sobretudo em referência à história medieval dos territórios hoje ocupados pela Eslovénia. Se alguém quiser referir-se em português aos naturais ou habitantes da Carníola desses tempos, terá de criar um gentílico conforme às possibilidades oferecidas pelo sistema morfológico (leia-se o que dissemos sobre o gentílico das regiões banhadas pelo rio Meno, na Alemanha).

Tendo em conta que o Dicionário Terminológico dedica uma secção (C.1) à análise do discurso e a disciplinas correlatas, transcrevo as definições disponíveis na subsecção C 1.1:

«O discurso distingue-se, tal como o texto, por ser uma identidade de âmbito e funcionamento transfrásicos. O discurso e o texto são o produto da concatenação coesiva e coerente de frases e de enunciados.

«Apesar de algumas flutuações e até divergências de entendimento, há muitos pontos de acordo e de coincidência que nos permitem, com François Rastier, formular definições relativamente estabilizadas: discurso é “o conjunto de usos linguísticos codificados ligado a um tipo de prática social”; texto é uma “sequência linguística autónoma (oral ou escrita), constituindo uma unidade empírica, e produzida por um ou diversos enunciadores em prática social atestada. Os textos são o objecto da linguística”.

«É importante sublinhar que tanto o discurso como o texto podem ser orais ou escritos.»

Sobre o conceito de texto, também convém consultar o verbete texto da subsecção C 1.2:

«O texto é prototipicamente uma sequência autónoma de enunciados, orais ou escritos, de extensão variável – um texto pode ser constituído por um único e curto enunciado ou por um número elevadíssimo de enunciados —, com um princípio e um fim bem delimitados, produzido por um ou por vários autores, no âmbito de uma de uma determinada memória textual e de um determinado sistema semiótico, isto é, em conformidade, em tensão criadora ou em ruptura com as regras e as convenções desse sistema, e cuja concretização ou actualização de sentido é realizada por um leitor/intérprete ou por um ouvinte/in...