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António Ferreira
António Ferreira
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António Ferreira (Lisboa, 1528 - 1569), escritor e humanista português. É considerado um dos maiores poetas do classicismo renascentista de língua portuguesa, conhecido como o Horácio português. A sua obra mais conhecida é uma tragédia, Tragédia de Inês de Castro.

 
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Floresça, fale, cante, oiça-se e viva
a portuguesa língua, e já onde for,
senhora vá de si, soberba e altiva!
Se até aqui esteve baixa e sem louvor,
culpa é dos que a mal exercitaram,
esquecimento nosso, e desamor!
(...)

Quando d'amor se pode humanamente
Sentir, tu o sentes; ou cantar, tu o cantas,
Salício1: e em-quanto a doce voz levantas.
Tudo arde em fogo, em tudo amor se sente.

Só Flérida2, e Amor a ela obediente,
Ao vivo fogo teu, lágrimas tantas,
Aos grandes versos com que o Mundo espantas,
Olhos e ouvidos cerram cruelmente…

Por ventura que em-quanto à estrangeira
Língua entregas teus doces acentos
Não é tua voz com tanto efeito ou...
Teu nome, Andrade1, de qu'é bem qu'esperem
O de que se já sempres espantaram
Quantos te vem, quantos depois vierem:
Teu raro esprito, de que se honraram
As Musas, que de si tanto te deram 2,
E que tarde outro como a ti darão:
Os bons escritos teus, que mereceram
Ou ouro, ou cedro, pois já nessa idade
Nos mostras neles , quanto em ti quiseram
As Musas renovar a antiguidade,
Em teu amor aceso me levaram (...)


Fuja daqui o odioso
Profano vulgo1, eu canto
As brandas Musas, a uns espíritos dados
Dos Céus ao novo canto
Heróico, e generoso
Nunca ouvido dos nossos bons passados.
Neste sejam cantados
Altos Reis, altos feitos,
Costume-se este ar nosso à Lira 2nova.
Acendei vossos peitos,
Engenhos bem criados.
Do fogo, que o Mundo outea vez renova.
Cada um faça alta prova
De seu espírito em tantas
Portuguesas conquistas, e vitórias,
De ...


    Teu nome, Andrade, de qu´é bem qu´esperem
    O de que se já sempre espantaram
    Quantos te vem, quantos despois vierem:
    Teu raro espríto, de que se honraram
5   As Musas, que de si tanto te deram,
    E que tarde outro como a ti darão:
    Os bons escritos teus, que mereceram
    Ou ouro, ou cedro, pois já nessa idade
   ...