Andreia Vale - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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Origem e histórias lexicais do quotidiano dos portugueses
Por Andreia Vale

A autora de Puxar a Brasa à nossa Sardinha e de  Cruz Credo, Bate na Madeira..., lançou uma nova obra – Da Boca para Fora (editora Manuscrito). E, à semelhança dos dois livros anteriores, a jornalista Andreia Vale centra-se nas palavras e expressões divertidas que se popularizaram na linguagem informal em Portugal, o que confirma o seu gosto por palavras, o seu gosto em «descobrir novas palavras e significados» e de «descobrir as suas histórias e origens» (na Introdução, pág. 9)

Neste caso, são dez os capítulos temáticos, o primeiro dos quais abordando as palavras da preferência particular da autora – «Palavras que eu gosto (porque sim!)»–, por exemplo, saudade, pindéricas ou fornicoques. Seguem-se as  «Palavras que deixam água na boca» (sardinha, bica ou boa como o milho); as «Palavras do corpo humano e da roupa que vestimos» (borboto, hoodie ou biquíni); as «Palavras da natureza, onde não faltam animais» (cloaca, chibo ou fevereiro); as «Palavras das "coisas" e dos objectos do nosso dia a dia» (salário, salazar ou alheta); as «Palavras com bolinha vermelha» (expressões que remetem para um universo ma...

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Por Andreia Vale

 A  jornalista Andreia Vale, no seu segundo livro intitulado Cruz Credo, Bate na Madeira...E outras 113 superstições do nosso dia-a-dia, selecionou um conjunto de procedimentos ilustradores da superstição coletiva da comunidade. A eles estão associadas expressões e vocábulos de grande carga simbólica.

No primeiro capítulo, desenvolve a temática referente à superstição clássica e coletiva a que é sensível a grande maioria das pessoas. Fala-se em bater na madeira, do número 13, dos gatos pretos, em abrir um guarda-chuva dentro de casa. Mas a autora não se limita a apresentar as situações – procura também explicar a sua origem. O segundo capítulo é dedicado à mãe-natureza e a toda simbologia inerente a cada elemento. Enumera as gaivotas, os cisnes, os relâmpagos, os abutres, a Lua, o lobisomem e o vampiro. Depois, passa a apresentar a ação dos amuletos e talismãs no respeitante à proteção contra certos malefícios. Cita-se, entre outros, o trevo de quatro folhas, a ferradura, a pata de coelho, ou a estrela de David. Outras superstições são referidas, no capítulo do casamento: como não deixar que nos varram os pés, a aliança, o noivo – que não pode ver a noiva antes do casamento –, o lançar arroz e pétalas de rosa, o atirar o ramo da noiva, entre outros.

O desenvolvimento do tema remete para outros campos, como a ideia de que os bebés vêm das cegonhas, dizer santinho quando alguém espirra, bater com os tachos no fim do ano, a simbologia endógena às cores ou aos alimentos, as superstições relacionadas com as profissões, o soprar as ve...

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e Outras Expressões que Usamos no Dia-a-Dia sem Saber a Sua Origem
Por Andreia Vale

Este livro tem a originalidade de a recolha de expressões abranger frases feitas que têm história recente no português de Portugal1. Com efeito, são vários os capítulos que mostram que vivemos num tempo em que a língua dos media, com a cultura do espetáculo, se enraiza igualmente no discurso quotidiano, através de palavras, expressões, frases que noticiários e programas põem em circulação. Por isso, se o título da obra glosa coletivamente a velha e bem conhecida expressão «puxar a brasa à sua sardinha»² é também verdade que regista, explicando-lhes a origem, frases e enunciados como «eu é mais bolos», popularizada pelo humorista Herman José num programa de fim de ano (1991), «isso agora não interessa nada», usada por Teresa Guilherme nas emissões do Big Brother português, ou «e esta, hem?», que o jornalista Fernando Pessa proferia sempre nas suas reportagens para a RTP. Trata-se, pois, de uma obra que reflete bem as preocupações inerentes à profissão da autora, a jornalista Andreia Vale, procurando os acontecimentos que motivaram giros linguísticos como «até vir a...