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O POLH na Europa

Português como Língua de Herança

O POLH na Europa
Autor(es) Vários Autores
Edição Pontes Editores , 2026
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O conceito de Língua de Herança (LH) tem sido amplamente utilizado nos estudos linguísticos, em particular nos dedicados à aquisição de línguas, como uma forma de explicar a relação dos falantes com uma língua cujo estatuto é difícil de determinar, uma vez que este conceito dá conta da relação que os falantes têm com um sistema linguístico que gravita entre a língua materna, língua de origem, língua dos imigrantes, língua minoritária, língua comunitária ou língua da casa. Por conseguinte, as competências linguísticas dos falantes de um LH podem ter níveis de proficiência apenas parciais e bastante diversificados, sendo as experiências de aquisição e contacto muito diversas. Segundo Cristina Flores, um falante de português como língua de herança é aquele com ascendência portuguesa, que é emigrante de segunda ou terceira geração e nasceu no país de acolhimento ou emigrou em idade precoce, tendo contacto com este idioma sobretudo no contexto familiar. 

É precisamente com o objetivo de aprofundar o estudo do Português como Língua de Herança (POLH) que surge a publicação da revista O POLH na Europa: Português como Língua de Herança, que reúne investigações e relatos de práticas didáticas apresentados no VI SEPOLH (VI Simpósio Europeu sobre o Ensino do Português como Língua de Herança), realizado em 2023, sob o tema «Da Gestão à Formação», no âmbito do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro.

Do ponto de vista estrutural, o volume integra 17 artigos organizados em três secções. A primeira, intitulada «Pesquisas em POLH», reúne estudos que analisam diferentes contextos de ensino POLH, abordando desde políticas linguísticas até questões específicas de natureza linguística, social, cultural e religiosa. A segunda secção, «Práticas em POLH», apresenta reflexões sobre processos de ensino e aprendizagem de POLH, refletindo experiências acumuladas ao longo das últimas duas décadas em simpósios e congressos dedicados ao tema. Por fim, a terceira secção, «Projetos em POLH», descreve três iniciativas que promovem uma aprendizagem intencional e contextualizada, valorizando não só a língua, mas também as dimensões culturais e identitárias dos seus falantes e das respetivas comunidades.

Neste volume, merece destaque o artigo “As visões de professores de PLH sobre o bilinguismo dos seus alunos: propostas para a prática”, de autora de Maria de Lurdes Gonçalves e Cristina Flores, que, com base num estudo realizado junto de professores de português na Suíça, apresenta propostas de intervenção educativa, dentro e fora da sala de aula, com vista à valorização bi/plurilinguismo.

No seu conjunto, esta publicação constitui um contributo relevante para o reconhecimento e a consolidação dos estudos sobre POLH, ao articular investigação, reflexão pedagógica e intervenção prática. Ao evidenciar a diversidade de contextos e percursos dos falantes de POLH, o volume reforça a necessidade de abordagens educativas sensíveis às especificidades linguísticas e culturais destes aprendentes, promovendo não apenas o desenvolvimento da competência linguística, mas também a valorização das suas identidades plurais.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa