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Novo Atlas da Língua Portuguesa
Luís Antero Reto, Fernando Luís Machado e José Paulo Esperança
ISCTE – IUL, 2016 5K   

«Nos dez capítulos que constituem o presente livro encontrará o leitor informação atualizada sobre muitos aspetos da expressão global da língua portuguesa.

Apresentamos o número de falantes atuais de português e a sua projeção até 2100 e damos um panorama muito amplo sobre o ensino de português no mundo, onde, para além do trabalho feito pelo Camões, IC e pela Rede Brasil Cultural, destacamos os casos dos Estados Unidos e da China, pela importância estratégica dessas duas nações.

Por outro lado, para além de dados sobre as populações dos países de língua portuguesa, é também fornecida informação desagregada relativa às várias diásporas e aos múltiplos crioulos com base no português.

Mas, uma vez que a força de uma língua está estreitamente ancorada no poder económico dos países que a falam, o Atlas contempla ainda um vasto conjunto de indicadores geográficos, económicos, financeiros, comerciais, de mobilidade humana e de inserção geoestratégica nas várias organizações internacionais dos países membros da nossa comunidade linguística.

É também dado destaque a indicadores das áreas da cultura e das indústrias criativas e da ciência.

Finalmente, não podíamos apresentar um Atlas da Língua sem uma pequena amostra de textos de escritores dos oito países de língua portuguesa, em que é bem visível a diversidade de apropriações da mesma por cada uma das nações, mas, também, a sua grande unidade.

Iniciámos a elaboração deste Atlas sem ter conhecimento da existência de um primeiro livro intitulado Atlas da Língua Portuguesa na História e no Mundo, publicado em 1992 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, com a coordenação de António Luís Ferronha.

Embora a ignorância nunca deva ser invocada como desculpa e muito menos como motivo de orgulho, pensamos que neste caso o desconhecimento dessa obra pode ter constituído um fator positivo. De facto, nada na estrutura do presente livro foi influenciado por esse primeiro Atlas. A única mudança que a sua descoberta nos obrigou a fazer no nosso projeto foi a introdução da palavra Novo no título deste livro.

Dito isto, o anterior Atlas constituiu-se como fonte de informação importante para incorporar, ou confirmar, alguns dados aqui contidos.

No ano em que se comemoram os 20 anos da constituição da CPLP esperamos que o presente Atlas contribua para a afirmação do enorme “poder suave” que a língua portuguesa possibilita aos países que a falam ao nível das relações internacionais. Aliás, a extraordinária eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas para os próximos cinco anos poderá potenciar a afirmação da CPLP nas relações internacionais. Esta eleição obriga ainda mais os nossos países a disponibilizarem os meios financeiros e diplomáticos para que o português seja, de uma vez por todas, língua oficial da ONU. Fazemos sinceros votos para que esta seja uma das decisões da Cimeira de Brasília este ano.

Vinte anos nada representam na vida dos povos.

No entanto, o que os nossos países já conseguiram nestes vinte anos, apesar de algumas contrariedades inevitáveis, aponta para que a nossa comunidade linguística tenha um futuro de enorme potencial para os nossos países, na condição de todos nos envolvermos, ainda mais, na afirmação global da língua que a todos pertence.»

 

[Da Introdução dos autores da obra*, que tem prefácio do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, e que contou com o apoio para a sua edição, em português e em inglês, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua de Portugal. O Índice deste Novo Atlas da Língua Portuguesa fica disponível aqui. Ver, ainda: "Em 2100, a maioria do falantes de português será africana".]

* Dos mesmos autores – conjuntamente com Moahamed Azzim Gulamhussen e António Firmino da Costa –, foi anteriormente publicado o estudo Potencial Económico da Língua Portuguesa (disponível em formato PDF, aqui).