Trump errante ou errático?
Erros da atualidade
Num dos debates do programa Novo Dia, da CNN Portugal, emitido em 6 de maio de 2026, a propósito da suspensão temporária da chamada «Operação Liberdade» no estreito de Ormuz, após pressões diplomáticas do Paquistão e de outros países, o pivô, comentando a sucessão de avanços e recuos da política externa de Donald Trump, referiu-se ao presidente norte-americano como «o presidente errante».
Ora, embora o contexto político internacional pareça, de facto, dominado pela imprevisibilidade estratégica, pela oscilação diplomática e pela volatilidade discursiva, o adjetivo errante não é o mais adequado para caracterizar esse comportamento. Em português, errante significa sobretudo «que erra», «que vagueia», «que anda sem rumo», «itinerante» ou «nómada».
O termo que provavelmente se pretendia usar era errático – «presidente errático». Este adjetivo descreve aquilo que é instável, irregular, desconexo ou imprevisível, ou seja, o tipo de comportamento político frequentemente associado às decisões contraditórias de Trump nos atuais conflitos internacionais. Uma política externa que num dia ameaça uma escalada militar e no seguinte recua perante pressões diplomáticas poderá ser chamada errática; mas mais dificilmente será errante.
Trata-se, afinal, de mais um caso em que a partilha da mesma raiz morfológica (a do verbo errar) e a semelhança fonética aproximam palavras semanticamente distintas, produzindo um deslize que passa despercebido ao ouvido.
