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Pelourinho

«Reserva-se o direito»...

... e nunca «reserva-se "ao" direito»

«... em direto, de Riade, onde a esta hora o  ministro dos Negócios estrangeiros fala, e para dizer que a rábia Saudita se reserva ao direito de tomar decisões e ações militares contra o Irão.»

NOW, 18/03/2026, 23h55

«... mas também noutras instalações energéticas, por exemplo, na Arábia saudita, que já promete nesta altura uma resposta militar, reserva-se ao direito de retaliar contra o Irão.»

CNN, 19/03/2026, 08h35

A escalada na guerra com o Irão é tema de notícias e comentários, e a reincidência num erro já antigo volta ater registo em dois canais de notícias na televisão em Portugal*. 

O que se transcreve nas duas epígrafes pode bem atestar como o uso erróneo de «reservar-se ao direito» ameaça instalar-se na língua mediática. Importa, portanto, relembrar que o verbo reservar ocorre fundamentalmente de acordo com o esquema «reservar alguma coisa a/para alguém», em que o segundo complemento («a/para alguém») pode ser omitido.

No caso da expressão «reservar-se o direito (de fazer alguma coisa)», a palavra direito, no sentido de «prerrogativa», denota o objeto de reservar, e, portanto, não se aceita «reserva-se ao direito», que, para estar gramaticalmente escorreito, só tem de passar a «reserva-se o direito», sem a contração ao

Enfim, já que não nos reservam o direito de pôr termo a esta e outras guerras , ao menos façamos o que está ao nosso alcance e reservemo-nos o direito de viver em paz com a gramática. 

* Agradeço ao consultor Paulo J. S. Barata as imagens e as frases aqui comentadas.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa