«Pôr o pé em ramo verde»
Da taberna à segurança extrema
O que significa a expressão «pôr o pé em ramo verde»?
Esta expressão é usada com o sentido de «ter liberdade de ação» ou até com um valor mais extremo de «abusar; exceder-se; ser senhor de si». Assim, se eu disser «O João anda a pôr o pé em ramo verde desde que entrou nesta empresa», posso querer dizer implicitamente que o João anda a ter atitudes excessivas ou abusivas para o cargo que desempenha, que não seriam esperadas em alguém com o seu perfil.
Descrevendo alguém, pode dizer-se «ele não põe o pé em ramo verde», o que significa que ele é uma pessoa muito segura que leva as precauções a sério.
A expressão é usada frequentemente com a forma: «não deixar alguém pôr o pé em ramo verde», que expressa a ideia de não permitir liberdade de ação ou de impor autoridade.
Explica-nos João Ribeiro, na obra Frases Feitas, que a expressão «pôr o pé em ramo verde» tinha, em épocas antigas, o sentido de «sair à rua» ou de «ir à taverna», estabelecimento no qual se usava um ramo como tabuleta ou reclamo, anunciando a atividade ali desenvolvida.
No Auto de Rodrigo e Mendo, do dramaturgo quinhentista Jorge Pinto, encontramos estes versos: «– Dizei, músico cigarra, /Quereis vender a guitarra /Dar-vos-ei pera ir ao ramo.», nos quais a expressão «ir ao ramo» é equivalente a «ir à taberna».
A evolução para os sentidos de hoje de «pôr o pé em ramo verde» resultou, deste modo, de um processo de metaforização que levou a que os sentidos originais ficassem esquecidos.
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Áudio disponível aqui
[AUDIO: Carla Marques_Pôr o pé em ramo verde]
Apontamento da professora Carla Marques incluído no programa Páginas de Português, na Antena 2 (19/10/2026)
Fonte imagem: produzida com Inteligência Artificial.
