A maiúscula inicial pós-AO 1990 - O nosso idioma - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A maiúscula inicial pós-AO 1990
A maiúscula inicial pós-AO 1990
Em nomes de pessoas reais ou imaginárias, festividades, títulos, pontos cardeais, abreviações e denominações de instituições

Acordo Ortográfico de 1990  [segundo  n.º 2 da Base XIX]  organiza a utilização da letra minúscula e da letra maiúscula inicial e prevê a opção entre elas em determinadas situações (cf. "A letra minúscula inicial facultativa").

Quanto à letra maiúscula inicial, é utilizada nas seguintes situações: nos nomes próprios de pessoas (antropónimos reais ou fictícios): António Lobo Antunes, Cinderela; Catarina Furtado; nos nomes próprios de locais (topónimos reais ou fictícios): Porto; Algarve; Terra do Nunca; Marte; nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Vénus; Adamastor; Tágides; nos nomes de festas e festividades: Natal; Páscoa; Ramadão; Todos os Santos; Ressurreição; Carnaval; nos títulos dos periódicos: O Primeiro de Janeiro; Visão; Jornal de Notícias; nos pontos cardeais ou equivalentes, quando designam uma região: Nordeste (do Brasil); Norte (de Portugal); Oriente (asiático); nas siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais: CPLP; PSP; FCP; Sr.; V. Ex.ª; nos nomes das instituições públicas e privadas: Ministério das Finanças.

Quando se trata de um ponto cardeal e se escreve por extenso, utiliza-se a letra minúscula, se não for usado com o sentido absoluto de região; se for uma abreviatura, escreve-se com a letra maiúscula.

Porém, se se tratar de uma região, escreve-se sempre com maiúscula.

Vejamos os exemplos que se seguem:

«Dirijo-me para norte» (ponto cardeal por extenso e sem sentido absoluto de região) / «Dirijo-me para N» (abreviatura de ponto cardeal) / «Gosto muito do Norte» (região).

Sobre a autora

Professora de Português e Francês no ensino secundário, na Escola Secundária Inês de Castro (Vila Nova de Gaia). Licenciada em 1992 pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem mais de trinta livros (escolares, romances e infantis) publicados, entre os quais se contam Português atual, Manual do Bom Português Atual, Língua Portuguesa e Matemática, bem como edições escolares do Auto da Barca do Inferno e de Os Lusíadas. Formadora na área de Língua Portuguesa, em centros de formação para professores, em colégios privados, na Universidade Católica, na  Sonae, no Jornal de Notícias, no Porto Canal; a convite do Instituto Politécnico de Macau, em 2014, deu também formação a professores universitários chineses. Desde 2012, mantém uma crónica semanal no Jornal de Notícias, intitulada "Português Atual". Foi responsável por uma rubrica diária sobre língua portuguesa no Porto Canal. Elaborou um contributo para o grupo de trabalho parlamentar para avaliação do impacto da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. Em 2018, foi-lhe atribuída a medalha de mérito cultural pela Câmara Municipal de Gaia.