A letra minúscula inicial facultativa - O nosso idioma - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A letra minúscula inicial facultativa
A letra minúscula inicial facultativa
Os títulos de livros, nomes de santos, disciplinas, logradouros públicos e nomes de templos

O Acordo Ortográfico d 1990 [na sua Base XIX]  organiza a utilização da letra minúscula e da letra maiúscula inicial e prevê a opção entre elas em determinadas situações.

Relativamente à letra minúscula inicial facultativa, é opcional o seu uso nos seguintes casos:

Por exemplo, nos títulos dos livros (bibliónimos), exceto o primeiro elemento, que se escreve com maiúscula, e nos nomes próprios neles contidos: O Primo Basílio / O primo Basílio. Na verdade, a primeira palavra do título do livro escreve-se sempre com maiúscula. Neste caso, a palavra primo poderá ser escrita com maiúscula ou com minúscula, pois trata-se de um nome comum. No caso da palavra Basílio, por se tratar de um nome próprio, terá que se escrever obrigatoriamente com maiúscula.

Também é opcional a letra minúscula nos nomes dos santos (hagiónimos): Santa Maria Adelaide / santa Maria Adelaide; São João / são João. Nesta situação,  é opcional escrever-se são ou santa com letra maiúscula.

É, igualmente, facultativa a escrita com letra maiúscula ou minúscula nos nomes que designam os domínios de saber, cursos e disciplinas: Língua Portuguesa / língua portuguesa; Matemática / matemática.

O mesmo acontece nas categorizações de logradouros públicos: Avenida da República / avenida da República; Rua do Ouro / rua do Ouro. E nas categorizações de nomes de templos: Igreja da Lapa / igreja da Lapa; Sé de Braga / sé de Braga.

Sobre a autora

Professora de Português e Francês no ensino secundário, na Escola Secundária Inês de Castro (Vila Nova de Gaia). Licenciada em 1992 pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem mais de trinta livros (escolares, romances e infantis) publicados, entre os quais se contam Português atual, Manual do Bom Português Atual, Língua Portuguesa e Matemática e Camões Conseguiu Escrever Muito para Quem Só Tinha Um Olho, bem como edições escolares do Auto da Barca do Inferno e de Os Lusíadas. Formadora na área de Língua Portuguesa, em centros de formação para professores, em colégios privados, na Universidade Católica, na  Sonae, no Jornal de Notícias, no Porto Canal; a convite do Instituto Politécnico de Macau, em 2014, deu também formação a professores universitários chineses. Desde 2012, mantém uma crónica semanal no Jornal de Notícias, intitulada "Português Atual". Foi responsável por uma rubrica diária sobre língua portuguesa no Porto Canal. Elaborou um contributo para o grupo de trabalho parlamentar para avaliação do impacto da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. Em 2018, foi-lhe atribuída a medalha de mérito cultural pela Câmara Municipal de Gaia.