Sobre a norma do português da Galiza - Controvérsias - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Sobre a norma do português da Galiza

Prezados colegas, vejo isto no seu serviço:

«[Pergunta | Resposta]

Palavras semelhantes a eis (em português da Galiza)

[Pergunta] Em português da Galiza usamos duas palavras semelhantes a eis: velaqui, que significa algo assim como: «eis aqui» (voici, em francês); e velaí, que significa: «eis aí» (voilá, em francês). Gostaria de saber se estas duas palavras existem em português de Portugal e se são admitidas na língua portuguesa internacional.

Muito obrigado.

Joao Gabriel Molinelli Rivadulha :: Estudante :: Corunha, Galiza

[Resposta] As formas velaí e velaqui, equivalentes a eis, não têm tido entrada em dicionários portugueses. No entanto, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (2009), da Porto Editora, que integra vocábulos galegos, regista realmente essas palavras, por via da colaboração da Academia Galega da Língua Portuguesa.

Direi, portanto, que velaí e velaqui não fazem parte do léxico do português europeu. O que não quer dizer que não possa fazer parte do léxico do português numa perspectiva alargada. Tão alargada, que se considere legítimo incluir no conceito de português os diactos galegos — apesar de estes terem norma própria fixada por outras entidades (Real Academia Galega, Instituto da Língua Galega) com intervenção na política linguística da Galiza.

Carlos Rocha :: 12/07/2010»

Como não sei se é possível o debate, vejo-me reduzido a sequer rebater aqui, com contundência, essa afirmação a respeito da Real Academia Galega (RAG) e o Instituto da Língua Galega (ILG); a norma do português da Galiza vem sendo fixada pelas comunidades que a empregam, precariamente, sem nunca renunciarem à continuidade da língua, no tempo (desde os seus brilhantes inícios medievais) e no espaço (transraiano), que hojem têm voz na AGLP. Os "pessoeiros" da RAG e o ILG afirmam sem pejo que o seu invento nasceu no séc. XIX e reduz-se a 4 províncias do NW do Reino de España, cujos servidores são.

Estou aberto ao debate.

Sobre o autor

Carlos Durão (Madrid, 1943) é um poeta galego licenciado em Filologia Inglesa pela Universidade Central (Madrid, Espanha). Foi professor de idiomas em Londres; redator radiofónico da BBC; tradutor técnico em organismos da ONU; colaborador de diversas revistas Grial, Teima, A Nossa Terra, etc.. Das suas obras, destacam-se: A Teima (1973); Galegos de Londres (1978) e Prontuário Ortográfico da Língua Galego-Portuguesa das Irmandades da Fala (1984).