Antologia // Portugal Grammatica rudimentar Aquelle Manuel do RegoÉ rapaz de tanto tinoQue em lirio põe sempre y grego,E em lyra põe i latino!E como a gente diz ceiaEscreve sempre ceiar;Assim como de passeiaTira o verbo passeiar!Nunca diz senão peiorNão só por ser mais bonito,Mas porque achou num auctorQue deriva de sanskrito.Escreve razão com s,E escreve Brasil com z:Assim elle nos quizesseDizer a razão porquê!Também como diz — eu soubeJulga que eu poude é correct... João de Deus · 11 de maio de 2011 · 3K
Antologia // Brasil Declaração de amor Crónica da escritora brasileira Clarice Lispector (1920-1977) , incluída no livro A Descoberta do Mundo, editado postumamente, em 1984. Clarice Lispector · 3 de maio de 2011 · 7K
Antologia // Portugal A Palavra Mágica Nunca o Silvestre tinha tido uma pega com ninguém. Se às vezes guerreava, com palavras azedas para cá e para lá, era apenas com os fundos da própria consciência. Viúvo, sem filhos, dono de umas leiras herdadas, o que mais parecia inquietá-lo era a maneira de alijar bem depressa o dinheiro das rendas. Semeava tão facilmente as economias, que ninguém via naquilo um sintoma de pena ou de justiça — mesmo da velha —, mas apenas um desejo urgente de comodidade. Dar aliviava. (...) Vergílio Ferreira · 19 de abril de 2011 · 12K
Antologia A língua portuguesa* A língua portuguesa é, sem dúvida alguma, uma língua particularmente harmoniosa e musical. Os seus ritmos são doces; as palavras que a tecem, em geral desprovidos de acentos, são tristes como côres de tons pálidos, e expressam-se sempre em voz baixa. Isto dá nevoeiro de ideal à prosa, e presta serviços inestimáveis ao artista melancólico, que é por via de regra português. Alberto d'Oliveira · 6 de abril de 2011 · 4K
Antologia «A doçura e harmonia da língua portuguesa…» Qualquer estrangeiro pode traduzir com facilidade e presteza na sua linguagem todo o pedaço de prosa dos nossos bons autores, visto ser a sintaxe da nossa língua mui natural e correcta, sem a imensidade das inversões que vemos nos outros idiomas antigos e modernos, circunstância que os faz de difícil acesso a quem neles pretende ser instruído, e obsta à sua propagação… Francisco Dias Gomes · 10 de março de 2011 · 5K
Antologia // Brasil O Sertanejo Falando 1. A fala a nível do sertanejo engana: as palavras dele vêm, como rebuçadas (palavras confeito, pílula), na glace de uma entonação lisa, de adocicada. Enquanto que sob ela, dura e endurece o caroço de pedra, a amêndoa pétrea, dessa árvore pedrenta (o sertanejo) incapaz de não se expressar em pedra.2. Daí porque o sertanejo fala pouco: as palavras de pedra ulceram a ... João Cabral de Melo Neto · 28 de fevereiro de 2011 · 6K
Antologia Quando d´amor se pode humanamente Quando d'amor se pode humanamenteSentir, tu o sentes; ou cantar, tu o cantas,Salício1: e em-quanto a doce voz levantas.Tudo arde em fogo, em tudo amor se sente. Só Flérida2, e Amor a ela obediente,Ao vivo fogo teu, lágrimas tantas,Aos grandes versos com que o Mundo espantas,Olhos e ouvidos cerram cruelmente… Por ventura que em-quanto à estrangeiraLíngua entregas teus doces acentosNão é tua voz com tanto efeito ou... António Ferreira · 20 de janeiro de 2011 · 5K
Antologia // Portugal À Língua Portuguesa Língua cuja suave melodia,Cuja enchente fecunda de expressões,Clara te faz entre as viventes línguas, Mais que tôdas ilustre:Se aquele que imitando o Cisne ArgivoTanto as latinas musas ilustrou ,Que as fez voar eternas pelo mundo, Vencidas quási as gregas;Que as armas e o varão pio cantando,Que o caro pai, que os caros seus PenatesSalvou por entre as c... Francisco Dias Gomes · 5 de janeiro de 2011 · 4K
Antologia // Portugal Ditosa língua nossa* Poema, inserto na obra do autor, O Lima (Carta IV – a D. João de Castelo Branco), a seguir transcrita da antologia Paladinos da Linguagem, organizada por Agostinho de Campos. Diogo Bernardes · 6 de dezembro de 2010 · 4K
Antologia «O nobre idioma, o alti-sonante português» A língua está a pique de perder-se, degenerando em garabulha por arte de franchinotes. Já não é sòmente o vocábulo de boa casta que é renegado pelo barbarismo, é a própria plástica, a mesma sintaxe, de construção robusta, que se vai deformando com o arrocho do justilho, efeminando-se com embelecos e postiços. Coelho Neto · 24 de novembro de 2010 · 5K