Antologia «Minha pátria, minha língua» «Minha pátria, minha língua/Linha pátria, minha míngua», um poema inédito de Rui Zink, que é apresentado pelo Jornal de Letras como «uma declaração de amor à língua portuguesa», para assinalar o 32.º aniversário do JL (de 21/03/2012). Minha pátria, minha língua Linha pátria, minha míngua Juro-te, se fores minha gramática Eu serei tua sintaxe. É que, em ti, gosto de tudo Dos sons, dos ecos, da surdez Até das tuas rimas fáceis Em extáse, em extáse. Certo, nem sempre nos entendemos Rui Zink · 15 de junho de 2012 · 7K
Antologia «Falemos português brando e sonoro» (grafia original) Nós prezamos tão pouco a nossa língua, Que tão sómente as outras aprendemos, Em desar da nativa; e a ser-nos dado, Na francesa escrevêramos, faláramos, Como já na espanhola, por lisonja E por louca vaidade, compusemos! [...] Falemos português brando e sonoro A portugueses que entender-nos cabe. E se espertos me argúem os peraltas Que as riquezas vocais que assim pretendo Introduzir, empecem à clareza Da língua, e que o vulgar dos portugueses Não pode súbito abranger o senso Das vozes clássicas, remotas do uso (...) Filinto Elísio · 4 de março de 2012 · 6K
Antologia Da minha língua vê-se o mar Excerto do texto «A Voz do Mar», lido por Vergílio Ferreira em 1991, na cerimónia em que lhe é atribuído o Prémio Europália (Bruxelas), um discurso manifestamente de afirmação da língua portuguesa como reflexo da cultura de um povo cuja identidade é indissociável do mar. Destaca-se daí uma frase lapidar – «Da minha língua vê-se o mar» (...) Vergílio Ferreira · 28 de novembro de 2011 · 20K
Antologia Os neologismos mais que perfeitos «Um povo que deixa o seu idioma degradar-se, aceitando todo o tipo de estrangeirismos, contributos desnecessários, em breve estará de joelhos.» Extrato do livro Milagrário Pessoal, de José Eduardo Agualusa. A nós interessam-nos as palavras novas, disse eu. lara trabalha com neologismos. Selecciona os neologismos que devem ser dicionarizados. Alexandre Anhanguera estremeceu, trocou um rápido olhar com Plácido Domingo. José Eduardo Agualusa · 22 de novembro de 2011 · 5K
Antologia Cantar d’Amigo Poema que aqui se regista, como evocação dos 750 anos do nascimento de D. Dinis, o rei-trovador enaltecido por Ferna... Afonso Duarte · 10 de outubro de 2011 · 5K
Antologia O génio da nossa língua O génio da língua é a essência espiritual emanada dos seus vocábulos intraduzíveis, que se pode sintetizar numa expressão mais ou menos definida. Na língua portuguesa há um certo número de palavras altamente expressivas do que a nossa sensibilidade possui de mais íntimo e característico, e, por isso, sem equivalentes nas outras línguas. Mas conhecemos ainda uma célebre palavra animada pelos dois princípios religiosos que definem a alma pátria. Teixeira de Pascoaes · 22 de agosto de 2011 · 5K
Antologia Crónica verdadeira da língua portuguesa* A poetisa portuguesaSophia de Mello Breynergostava de saborearuma a umatodas as sílabasdo português do Brasil.Estou a vê-la:suave e discreta,debruçada sobre a varanda do tempo,o olhar estendendo-se com o mare a memória,deliciando-se comovidacom o sol despudoradoardendonas vogais abertas da língua,violentando com doçuraos surdos limitesdas consoantese ampliando-ospara lá da História.Mas saberia elaquem rasgou esses limites,com o seu sangue,a sua resistênciae a sua música? João Melo · 17 de agosto de 2011 · 7K
Antologia // Portugal Madre língua portuguesa Madre língua portuguesa,Sombra dos coros divinos;— Milagre da naureza:De rouca e surda rudezaErguida em sons cristalinos![...]Alta espada de dois gumes,Castelo das cem mil portas:Língua viva, que resumes — Rescaldo de ttantos lumes! —O génio das línguas mortas...[...]Ai de mim! Para louvar-te,Chovessem na minha mãoEstrelas de toda a parte;Fosse um trovão a minha arte;Fosse a minha alma um vulcão! António Correia de Oliveira · 24 de julho de 2011 · 6K
Antologia // Portugal A nossa querida língua Eu amo tanto a nossa língua, esta nossa querida língua portuguesa! — fidalga de nascença pelos pais, cedo emancipada e logo rica, modesta no aspecto, dada no trato, grave no som, sóbria na tinta, gentil de linhas, e por ser desembaraçada de partículas inúteis, precisa nos conceitos, rápida nas máximas, evidente nos contrastes; e ao mesmo tempo cândida para bucólicas, terna para lirismos, altiloqüente nas estrofes das epopéias sonorosas, esquiva no diálogo curto, avolumada no discurso lento, s... Antero de Figueiredo · 11 de julho de 2011 · 5K
Antologia // Portugal Cantar em que a língua fala Cantei nos Cantares de Amigo, cantando, a Pátria nasceu; Portugal floriu comigo quando a poesia cresceu. Ai flores, ai flores dos Cancioneiros,oh graça e sorriso dos poemas primeiros! Ondas do mar me embalaram, tanto andei a navegar, que nos meus ritmos ficaram íris e longes do mar. <... Afonso Lopes Vieira · 8 de junho de 2011 · 4K