Antologia // Portugal Pequena crónica de um desaparecimento anunciado * Foi na estrada entre Oeiras e o Cacém, mais precisamente por alturas de Leceia, que senti esta angústia e fiz esta reflexão: será que os nossos trinetos conseguirão falar e escrever o Português sem terem de frequentar um curso de línguas mortas? João Aguiar · 14 de março de 1997 · 3K
Pelourinho Na dúvida, o inglês... Ao dar a notícia de mais um atentado da ETA no País Basco, a apresentadora do Jornal 2 (RTP2, Lisboa, Portugal) mostrou mais uma vez como vai o Mundo: cada vez mais anglófono. De facto, na vertigem do teleponto, ao ver o nome da cidade espanhola (basca, mais precisamente) de San Sebastian, saiu-lhe a pronúncia à inglesa. Não se acredita que tenha sido por falha cultural ou por uma confusão entre atentados da ETA e do IRA. É só um sinal dos tempos: na dúvida, vai-se para o inglês. D.C. · 12 de março de 1997 · 2K
Controvérsias Sociais-democratas Contrariando autores que defendem o plural social-democrata – nomeadamente José Pedro Machado –, José Neves Henriques alinha neste texto cinco razões para se «expulsar da nossa língua» essa forma. José Neves Henriques (1916-2008) · 7 de março de 1997 · 5K
Controvérsias Social-democratas Contrariando Rebelo Gonçalves e outros autores, José Pedro Machado justifica nete publicado a razão de o plural de social-democrata ter de ser social-democratas. José Pedro Machado · 7 de março de 1997 · 4K
Antologia // Angola Uma língua que aceita brincadeiras* «Quando pensamos numa língua muitas vezes a vemos da forma sisuda que na escola nos ensinaram a encará-la, com aquelas regras chatíssimas de gramática que parecem talhar um fato apertado que a sufoca. Afinal essas regras podem não ser tão antigas assim e dependem das brincadeiras que fazemos com a língua.» [Texto do escritor angolano Pepetela escrito especialmente para o Ciberdúvidas, na sequência dos contributos do do cabo-verdiano Germano Almeida, do guineense Carlos Lopes, do moçambicano Mia Couto e do português José Saramago.] Pepetela · 7 de março de 1997 · 8K
Pelourinho A pátria agradece Na noite em que o Manchester United venceu o Porto por 4 a 0, o elemento mais patriótico não foi a táctica inadequada do sr. António Oliveira. Também não foram o azul e branco do campeão português (cores nacionais, sim, mas no tempo da monarquia). Patriótico foi o locutor da RTP: em vez de pronunciar à francesa o nome do futebolista gaulês ao serviço do Manchester, dizia: «Cantôna»! «Cantôna!» Como um locutor de Paris, para quem Pinto é «Pintô» e Eusébio, agora e sempre, «Êsèbiô». A pátria agrad... João Carreira Bom · 6 de março de 1997 · 3K
Pelourinho // Mau uso da língua no espaço público Câmara de Lisboa com melhores acessos e piores gramáticas O interface, e não "a" interface «A pobre da interface pode ser feia, mas não a tratem por masculino, por favor», reclama Amílcar Caffé neste apontamento. Amílcar Caffé · 4 de março de 1997 · 2K
Pelourinho "Tem (mesmo) a ver"?! Diogo Freitas do Amaral, o presidente cessante da Assembleia-Geral da ONU, deve ser hoje a figura com um discurso mais consensual na política portuguesa. Dizem as más línguas que não é nada inocente este estar-bem-com-tudo-e-com-todos do antigo líder da direita portuguesa, agora tão sensível também a alguns temas mais sintonizados pela esquerda, como a xenofobia ou o caso dos ciganos escorraçados de Oleiros, no Norte de Portugal. Basta ouvi-lo, como se ouviu no d... José Mário Costa · 3 de março de 1997 · 3K
Controvérsias Um consultório sem fala A linguística não é complemento da norma, nem a pode englobar. A linguística é o estudo da língua como ela é e não como se gostaria que fosse. A história, a filosofia, a sociologia da linguagem podem estudar a norma enquanto elemento externo à língua, enquanto ideologia, mas - sob o risco de se anular - os linguistas nunca deveriam colaborar com a sua imposição, em produtos como o Ciberdúvidas. Pedro Peres · 28 de fevereiro de 1997 · 2K
Controvérsias Lingüística: um estorvo à aprendizagem da Língua Portuguesa Para fixar inúteis, pretensiosas e ridículas bizantices, perde o estudante o tempo que deveria dedicar ao conhecimento efetivo da língua. A vida moderna não pode dar guarida ao que a desvia do seu destino profissional e técnico. O ensino do vernáculo nas escolas secundárias do Brasil, como o é nas da Inglaterra, da França, da Alemanha, dos Estados Unidos da América, da Rússia, deve ser utilitário, e não provocador de diploma enganador. Que proveito traz à nação brasileira ensinar à sua gente ... Napoleão Mendes de Almeida · 28 de fevereiro de 1997 · 6K