"Coulrofobia", um neologismo de arrepiar - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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"Coulrofobia", um neologismo de arrepiar
"Coulrofobia", um neologismo de arrepiar
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 3K

Em tempo de Todos os Santos, agora acompanhados de bruxas ou fantasmas célticos e germânicos – o Halloween também procura assustar há alguns anos em Portugal...  ao arrepio da tradição  popular do país –, vem a propósito um pavoroso neologismo de recente data. É o jornalista português Ferreira Fernandes que descobre a palavra, assinalando com ironia a sua entrada no uso, numa crónica alusiva a notícias sobre crimes perpetrados em França por indivíduos mascarados de palhaço (em inglês clown, palavra também usada em francês):

«[...] com os ataques de clowns em França descobrimos o que é coulrofobia, o medo de palhaços. Que os palhaços podem meter medo já sabíamos desde a boca rasgada do Joker, no Batman, ou desde o romance de horror It, sobre um palhaço que vive nos esgotos de uma cidadezinha americana e mata crianças... Ainda não sabemos é se já havia coulrofobia antes [de o] escritor Stephen King ter ido por aí ou Jack Nicholson ter decidido ser mais uma vez excelente.»

Acresce que, em português, o primeiro elemento de "coulrofobia" tem configuração invulgar, sendo difícil até de pronunciar. O mal já vem do inglês coulrophobia, termo surgido há cerca de trinta anos para designar o «medo extremo ou irracional dos palhaços». Acontece que o elemento coulro-, pretensamente de origem grega, é, afinal, uma criação pseudoerudita bastante discutível na própria língua inglesa, como observa o muito útil Online Etymology Dictionary. Se assim é, mais prudente se afigura empregar a expressão «fobia dos/aos palhaços» – menos económica, é verdade, mas com certeza mais consistente. É caso para dizer: monstros como "coulrofobia" escusam de aparecer na festa, porque temos de sobra. Basta lembrar o arrepiante e incoerente "jihadista"...

 Na rubrica O Nosso Idioma, disponibiliza-se mais uma crónica publicada no jornal i, na qual o autor, o jornalista Wilton Fonseca, revisita o problema da aceitabilidade da  expressão coloquial «à última da hora» à luz da norma. No consultório, são abordados tópicos relacionados com o léxico, a semântica, a etimologia, a flexão verbal, a concordância e os estrangeirismos.

O programa de rádio Língua de Todos, transmitido na sexta-feira, 31/10/2014, às 13h15* na RDP África (com repetição no dia seguinte depois do noticiário das 9h00*) entrevista Sérgio Luís de Carvalho, autor de um novo Dicionário de Insultos. Por seu lado, o programa  Páginas de Português tem três convidados no domingo, 2/11/2014 às 17h00*, na Antena 2: o professor Przemyslaw Debowiak, da Universidade de Cracóvia (Polónia), para falar de um estudo quantitativo do uso do diminutivo no português, nas variantes europeia e brasileira; Maria Helena Ançã, professora da Universidade de Aveiro, para se referir a um estudo que envolveu portugueses, brasileiros e cabo-verdianos sobre os valores do idioma comum; e Xosé Ramón Freixeiro Mato, da Universidade da Corunha (Galiza), para salientar o papel do português na revitalização do galego no século XXI.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando também disponível via Internet, nos endereços de ambos os programas.

texto descritivo da imagemPara alunos e professores, as plataformas Ciberescola da Língua Portuguesa e os Cibercursos facultam acesso gratuito  a materiais de apoio do ensino-aprendizagem do português (língua materna e língua não materna). Mais pormenores, incluindo informação sobre cursos para estudantes estrangeiros (Portuguese as a Foreign Language), no Facebook e na rubrica Ensino.

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