A origem do nome Óscar (prémios da Academia): um caso de eponímia
A cerimónia de atribuição dos Óscares, a 98.ª cerimónia de entrega de prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, teve lugar a 15 de março, envolvendo toda a expectativa e brilho que lhe são habituais. A gala de reconhecimento das artes cinematográficas teve a sua primeira edição em 1929, há quase cem anos. No início, recebeu o nome de Prémios da Academia e a alteração da sua designação para Óscares (da Academia) só ocorreu oficialmente a partir de 1939 por um conjunto de razões envoltas nalgum mistério.
Várias são as histórias que circulam com o objetivo de explicar a origem do termo Óscar e, entre elas, ganha particular destaque a de Margaret Herrick, bibliotecária e presidente da Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Conta ela que, ao ver pela primeira vez a estatueta que é entregue a cada vencedor, terá afirmado «Recorda-me o meu tio Óscar», referindo-se a Oscar Pierce, um agricultor norte-americano do século XX que era seu familiar.
Outras figuras reclamam também os créditos na atribuição da designação da cerimónia, mas a história de Margaret tem sido a mais divulgada. Independentemente da verdade, podemos, não obstante, concluir que o nome atribuído ao evento ocorreu por um processo de antonomásia, um tipo de metonímia que consiste na substituição de um nome de objeto, entidade ou pessoa por outro nome. Neste caso particular, estamos perante um caso de eponímia, que ocorre quando o nome de uma pessoa dá origem ao nome de um lugar, objeto, conceito ou, como neste caso, de evento. Encontramos outras manifestações de eponímia em formulações como «Doença de Alzheimer», «Gillette» ou até sanduíche (de Conde de Sandwich).
Ainda a este propósito, recorde-se que, em português, o nome da cerimónia deve levar acento agudo e o plural tem a forma Óscares, não sendo necessário recorrer à forma inglesa Oscars.
Veja-se, ainda a este propósito, as respostas «Nomeado para 10 óscares» e «Oito "oscars"/oito óscares» e o artigo «Palavras formadas de epónimos».
