"Sujeito acusativo"
Ainda existe esse termo?
E em "Deixei-a sair.", o "a" tem qual função sintática? Que tipo de orações existe no período?
Ainda existe esse termo?
E em "Deixei-a sair.", o "a" tem qual função sintática? Que tipo de orações existe no período?
«Sujeito acusativo» é uma designação que provém do latim. As orações infinitivas que servem de complemento directo têm o sujeito no acusativo: Credo deum esse bonum = «Creio que Deus é bom.»
Em português, essas orações infinitivas podem corresponder a orações integrantes, completivas ou a orações infinitivas.
No caso que apresenta, o a desempenha a função de complemento directo de deixei. A gramática tradicional, pela análise do conteúdo, atribui a este pronome a uma dupla função sintáctica, a de complemento directo do verbo regente (deixei) e a de sujeito do infinitivo (sair), um sujeito, pois, no acusativo, de uma oração reduzida de infinitivo.
Em gramáticas actuais, não se atribui essa dupla função: o a continua a ser complemento directo de dexei, e o infinitivo sair desempenha o papel de predicativo[1] desse complemento directo.
Esta construção ocorre com certos verbos que exprimem actuação, ordem, imposição (deixar, mandar, fazer) bem como alguns que exprimem percepções e sensações (ver, olhar, ouvir, sentir).
[1 N. E. (17/01/2026) – Atualmente, no ensino básico e secundário dePortugal, não é válida a classificação, como predicativo, do infinitivo selecionado por verbos que denotam actuação, ordem, imposição (deixar, mandar, fazer), percepções e sensações (ver, olhar, ouvir, sentir). No quadro de análise associado à nomenclatura em vigor em Portugal, a do Dicionário Terminológico (DT), a oração não finita de infinitivo é uma oração subordinada substantiva completiva. A realização do sujeito desta oração de infinitivo como pronome átono adjacente ao verbo da oração matriz (no caso, deixar) corresponde à forma de complemento direto do pronome átono (me, te, o/a, nos, vos, os/as). Sobre esta construção, que configura o fenómeno de elevação do sujeito a objeto, o DT é omisso e, portanto, infere-se que o seu estudo só pontualmente será abordado no ensino não universitário. É em estudos especializados que a elevação do sujeito da oração completiva de infinitivo a objeto do verbo da oração matriz (como acontece em «deixei-a sair») encontra descrição (cf. Gramática do Português, Fundação calosute Gulbenkian, 2013-2020, pp. 1957/1958).]