DÚVIDAS

Comprava / compraria, vou / irei

Embora sem formação linguista (sou cirurgião) e compreenda que a condição de língua viva impõe, à partida, que ela se modifique ao longo dos anos, penso que há alterações empobrecedoras da nossa língua. Estamos a deixar de usar, no português coloquial, o futuro e o condicional. Exemplifico: Se eu fosse rico, comprava um Mercedes (e não compraria).

Amanhã vou ao cinema ( e não irei).

Resposta

O caso do futuro não é o mesmo que o do condicional. Este, de facto, cada vez mais vai sendo substituído pelo imperfeito do indicativo. Quanto ao presente em lugar do futuro é emprego vulgar em várias línguas, e a nossa não foge a isso, para indicar acção muito próxima ou intenção muito forte. Mas há, na realidade, outro tempo que anda muito mal tratado: o presente do conjuntivo, que poucos sabem usar, enfiando-lhe as desinências do presente do indicativo. Também o pretérito mais-que-perfeito simples só tem uso literário, excepto em casos como: tomara eu, tomáramos nós, etc. O imperativo igualmente, sobretudo no Brasil, sofre tratos de polé. É assim que as línguas evolucionam, e o que está errado passa, com o decorrer dos séculos (quando não de alguns anos), a considerar-se correcto!

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa