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«Caixa de papelão», «caixa de madeira» e... «caixa de chocolate»

Chego ao balcão e solicito: «Desejo uma caixa de papelão.» Entregam-me uma caixa construída com papelão.

«Desejo uma caixa de madeira.» Entregam-me uma caixa construída de madeira.

«Desejo uma caixa de ferro.» Entregam-me uma caixa construída de ferro.

«Desejo uma caixa de chocolate.» Entregam-me uma caixa construída de papelão, madeira ou ferro, mas com chocolate dentro...

Certo?

Pedro Moacyr de Campos Aposentado Florianópolis, Brasil 1K

Papelão, ferro, madeira e chocolate são nomes não contáveis, também conhecidos por nomes massivos, ou seja, referem-se a conjuntos em que não é possível distinguir ou enumerar partes singulares e partes plurais.

Assim, estes nomes não designam uma parte singular, mas uma porção não especificada («de papelão, ferro, madeira e chocolate»), que pode ser quantificada de acordo com um certo padrão de medida («uma caixa», «um pacote», «uma resma», «uma tonelada», etc.).

Quando utilizamos estes nomes no plural, não se verifica uma oposição entre parte plural e parte singular, mas uma parte qualitativa desse conjunto, (ex.:«os chocolates suíços»; «as madeiras de pinho», etc.).

Os mesmos nomes podem ainda designar a matéria de que é feito um dado obje{#c|}to, continuando a ser impossível enumerar partes singulares ou partes plurais dessa matéria (ex.: «uma caixa de madeira»; «uma mesa de ferro»; «um castelo de chocolate», etc.).

Conclui-se que, nas frases que indicou, a expressão «caixa de» é ambígua, pode indicar uma medida («de papelão», «de ferro», «de madeira» e «de chocolate»), ou um obje{#c|}to (caixa) feito dessa mesma matéria. A mesma expressão pode ser desambiguada no contexto discursivo extraling{#u|ü}ístico em que é expressa.


Ana Carina Prokopyshyn