Nuno Carvalho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Nuno Carvalho
Nuno Carvalho
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Investigador do ILTEC; foi leitor de Português na Universidade de Oxford (2001-2003).

 
Textos publicados pelo autor

Sim, está correto.

O termo Continente é deslocado para o início da frase para efeitos de destaque ou foco. No entanto, o sujeito da frase é «todos nós».

Repare-se que a frase poderia ser escrita de outras formas. Por exemplo:

«Todos nós somos Continente.»

«Nós somos Continente.»

«Continente somos nós

O facto de podermos usar pronome nós isoladamente naquela posição é prova suficiente de que se trata da posição de sujeito, uma vez que só o sujeito pode ser substituído por um pronome pessoal nominativo (eu, tu, ele, nós, etc.).

Existem verbos, os chamados verbos abundantes, que têm dois particípios: um regular e um irregular. Um dos exemplos é o verbo matar, que tem como particípio regular matado e como particípio irregular morto.

Sobre o uso destes particípios, a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Cunha e Cintra, diz na página 441: «De regra, a forma regular emprega-se na constituição dos tempos da voz activa, isto é, acompanhada dos auxiliares ter ou haver; a irregular usa-se, de preferência, na formação dos tempos da voz passiva, ou seja, acompanhada do auxiliar ser

Assim, respondendo à pergunta, deverá usar: «tem matado» e «foi morto».

Suponho que a dúvida da consulente esteja em se se deve usar o conjuntivo ou o indicativo nas orações introduzidas pela conjunção condicional se. Devo dizer que sim, a construção que nos apresenta é possível. Aliás, ao consultar a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, verificamos que o primeiro exemplo de uma oração subordinada adverbial condicional é a frase de Fernando Pessoa «Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena», onde os dois verbos aparecem no presente do indicativo.

Isto acontece porque uma oração condicional não pressupõe necessariamente uma dúvida ou hipótese. Implica, sim, uma condição. Essa condição não é dada pelo tempo verbal, mas pela presença da conjunção se, e tanto pode ser uma circunstância real, um facto (em cujo caso podemos usar o modo indicativo, «Se está a chover, vou de carro»), como uma hipótese (em cujo caso usamos o conjuntivo, «Se estiver a chover, vou de carro»).

Assim, tomando a frase que a consulente nos apresenta, podemos dizer que, se não houver a certeza de que a cadeia de caracteres-padrão foi criptografada, deverá ser usado o futuro composto do conjuntivo — tiver sido criptografada —, uma vez que esta forma verbal exprime uma suposição ou eventualidade sobre um facto passado. Obtemos então a frase: «Se a cadeia de caracteres-padrão tiver sido criptografada, essa mesma cadeia deve ser fornecida como um valor diferente.» Se houver certeza de que a cadeia de caracteres-padrão foi criptografada, poderemos usar o pretérito perfeito do indicativo — foi criptografada: «Se a cadeia de caracteres-padrão foi criptografada, essa mesma cadeia deve ser fornecida como um valor diferente.»

Trata-se de palavras com origens diferentes. O étimo de ancião é o vocábulo latino antianus.1

Por sua vez, o étimo de Ansiães é Ansilanis. Segundo. F. Xavier Fernandes, em Topónimos e Gentílicos, vol. II, p. 262: «num foral do século XI, encontra-se Ansilanes, por Ansilanis, que é o genitivo de Ansila, isto é, Ansilanis villa, quinta de Ansila. A evolução de Ansilanis, que é o étimo, deu-se normalmente: queda do l e do n intervocálicos e nasalação do vocal anterior a esta última consoante.»

1 Ancião tem os plurais anciãos, anciães e anciões.

Não, caro consulente, a palavra búzio não pode escrever-se "búsio". Nem caixa pode ser "caicha", nem caixilho, "caichilho", etc. E, sim, tem que ver com a etimologia e a evolução da palavras e com o facto de haver convenções estabelecidas por um acordo ortográfico que nos diz que devemos ter em conta a história das palavras na forma como as escrevemos. Veja-se, por exemplo, o que diz o ponto 5 das Bases Analíticas do Acordo Ortográfico de 1945:

«Dada a homofonia existente entre certas consoantes, torna-se necessário diferençar os seus empregos gráficos, que fundamentalmente se regulam pela etimologia e pela história das palavras. É certo que a variedade das condições em que se fixam na escrita as consoantes homófonas nem sempre permite fácil diferenciação de todos os casos em que se deve empregar uma consoante e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, do mesmo som; mas é indispensável, apesar disso, ter presente a noção teórica dos vários tipos de consoantes homófonas e fixar praticamente, até onde for possível, os seus usos gráficos, que nos casos especiais ou dificultosos a prática do Idioma e a consulta do vocabulário ou do dicionário irão ensinando. [...] Distinção entre as sibilantes sonoras interiores s, x e z: aceso, analisar, anestesia, artesão, asa, asilo, Baltasar, besouro, besuntar, blusa, brasa, brasão, Brasil, brisa, [Marco de] Canaveses, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, Ermesinde, Esposende, frenesi ou frenesim, frisar, guisa, guisar, improviso, jusante, liso, lousa, Lousã, Luso (nome de lugar, homónimo de Luso, nome mitológico), Matosinhos (povoação de Portu...