Maria João Matos - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Maria João Matos
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Maria João Matos, professora de Português do ensino secundário, licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.

 
Textos publicados pela autora

Em primeiro lugar, deve ficar bem claro que o novo Acordo Ortográfico (ou seja, o Acordo Ortográfico de 1990) ainda não está a ser aplicado em Portugal e que, portanto, a única grafia oficial é a actual (a do Acordo Ortográfico de 1945).

Na declaração anexa à Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 16 de Maio de 2008, publicada no Diário da República, 1.ª série — n.º 145 — 29 de Julho de 2008, determina-se um prazo-limite de seis anos durante o qual o Estado Português «adoptará as medidas adequadas a salvaguardar uma transição sem rupturas, nomeadamente no que se refere ao sistema educativo em geral e, em particular, ao ensino da língua portuguesa, com incidência no currículo nacional, programas e orientações curriculares e pedagógicas».

Note-se ainda que o texto original do acordo obriga à existência de um vocabulário comum que inclua as grafias consideradas correctas para todos os povos da lusofonia. Dado que o Brasil se antecipou e tem já o seu Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, espera-se agora que Portugal apresente o seu.

É portanto fundamental que as entidades competentes tomem as medidas necessárias que preparem a aplicação do novo acordo, nomeadamente nas áreas onde as alterações se farão sentir em primeiro lugar (ensino, administração pública e comunicação social). O trabalho nas...

A propósito da peça teatral Garrett no Coração, voltou a ouvir-se a pronúncia /Garré/ – como se se tratasse de um nome francês terminado em -t. Nada mais errado: o nome Garrett é inglês, e o -t deve ser pronunciado, tal como acontece no inglês e como o próprio Almeida Garrett fazia questão que se dissesse em português: /Garréte/.

O termo mobile vem actualmente associado a vários serviços relacionados com telemóveis: RTP Mobile, Mobile TV, MEO Mobile, ZON Mobile

Para além do que já se disse sobre o termo prequela neste sítio, posso acrescentar que mesmo o seu oposto, sequela, me parece uma escolha infeliz, pois habitualmente associamos este termo a consequências, a resultados ou efeitos secundários («a doença deixou-lhe sequelas»). Acho preferível dizer-se a continuação, o seguimento ou a sequência (do filme) — termos, aliás, de uso comum… O termo prequela pretende significar o oposto disto, ou seja, os factos anteriores a uma determinada história que já foi narrada. Sem prejuízo de outras propostas, o melhor termo que me ocorre em alternativa a prequela é antecedentes

Antecedente é, segundo os dicionários, a «circunstância anterior que justifica factos posteriores ou permite perceber uma situação actual».

Nas frases apresentadas há duas situações diferentes de uso da vírgula:

— Vírgula a separar os vários elementos de uma enumeração (excepto quando vêm unidos pela conjunção e:

1) «O Ponto Final, a Vírgula e o Ponto de Interrogação tentavam descobrir qual deles era o mais importante.» 

2) «[…] Ana Teresa, Maria José, Rita Sofia[…] Ana, Teresa, Maria José, Rita Sofia.» Ana Teresa, sem vírgula, é o nome de uma única pessoa; se houver vírgula, Ana e Teresa são duas pessoas. 

3) «Sem pontos, vírgulas e pontos de interrogação[…]»

— Vírgula a isolar o complemento adverbial (adjunto adverbial) quando colocado em ordem inversa (em itálico, nos exemplos):

2) «Comigo, podem ser apenas três […] Sem mim, nunca saberão.»

3) «Sem pontos, vírgulas e pontos de interrogação, […]»

Neste exemplo, apenas a última vírgula ilustra a situação referida.