Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Manuel Rodrigues Lapa
Manuel Rodrigues Lapa
976

Manuel Rodrigues Lapa (Anadia, 1897-1989) – filólogo, ensaísta e crítico literário português. Doutorado 1929 com uma tese que marcou os estudos sobre a lírica trovadoresca: Das Origens da Poesia Lírica em Portugal na Idade Média. Opositor ao regime salazarista, viveu no exílio no Brasil e em Paris, onde se dedicou à investigação e ao ensino universitário. Regressa a Portugal após o 25 de abril de 1974. Entre as suas obras, são de salientar Origens da Poesia Lírica em Portugal na Idade Média (1930), Lições de Literatura Portuguesa (1934), Cantigas de Santa Maria (1939), Estilística da Língua Portuguesa (1945), Cantigas d'escarnho e de mal dizer dos cancioneiros medievais galego-portugueses (1965), Estudos Galego-Portugueses (1979), As minhas razões – Memórias de um idealista que quis endireitar o mundo (1983). [Ver mais aqui.]

 
Artigos publicados pelo autor
Imagem de destaque do artigo

«Os povos que dependem económica e intelectualmente de outros não podem deixar de adoptar, com os produtos e ideias vindas de fora, certas formas de linguagem que lhes não são próprias. O ponto está em não permitir abusos e limitar essa importação linguística ao razoável e necessário. Contido nestes limites, o estrangeirismo tem vantagens: aumenta o poder expressivo das línguas, esbate a diferença dos idiomas, tornando-os mais compreensivos, e facilita, por i...

O emprego abusivo do cliché caracteriza quase todos os principiantes em trabalhos de estilo. Essas séries vocabulares ficaram-lhes no ouvido, através de más leituras, de carácter romântico, por vezes. Por preguiça mental enxertam esses grupos na redacção, que adquire um jeito pretensioso e falso, e diminui, é claro, de força expressiva. O estilo é uma permanente criação pessoal. Não aconselhamos o estudioso a evitar por completo as séries usuais, o que seria aliás difícil; mas prevenimo-lo co...