João David Pinto-Correia - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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João David Pinto-Correia
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Julgando que o problema já se encontrava ultrapassado, pensei que não era necessário voltar a dar qualquer opinião. Por outro lado, não pude responder mais cedo, visto que, durante algum tempo, estive fora de Lisboa, e, ao regressar, tive de me ocupar de problemas pessoais de carácter urgente. Mas, visto que sou solicitado a fazer uma última apreciação, devo dizer que o colega Augusto Tomé, da Universidade de Aveiro, tem razão no que afirma, lembrando que o termo quiralidade já se encontra aceite na especialidade, e, além disso, registado por um importante dicionário como o habitualmente designado "Aurélio". A minha resposta ao Sr. José Lopes continha a proposta de quirolidade, que assentava nos princípios gerais de formação de palavras em português com elementos gregos, e que eu poderia ainda sustentar de uma forma teórica. No entanto, a construção de uma língua faz-se também, e sobretudo, a partir do uso prático, principalmente no que toca a termos técnicos. Como neste caso, eles deverão ser os justificadamente aceites ou propostos pelos especialistas. É de agradecer a explicação cuidadosa recebida de Augusto Tomé.

Tem razão. Esta palavra tem origem obscura. Como acentua José Pedro Machado, no "Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa" (2ª ed., 1967), encontra-se registada em Bocage, no século XVIII, com a significação de «mau tempo», «tempestade». Rebelo Gonçalves, no "Vocabulário Ortográfico…", regista como referência principal «trabuzana», mas apresenta como variantes possíveis, e portanto correctas, «trambuzana» e «tribuzana» (esta última é forma brasileira).

Como regra geral, emprega-se o artigo antes de topónimos que resultaram de substantivos abstractos ou comuns: assim, cidade do Porto (de «porto», substantivo comum), ou cidade do Funchal, mas cidade de Lisboa, cidade de Faro (neste caso, não derivou de «faro», substantivo comum). Para os casos em questão, freguesia de Benfica, de S. João de Deus, etc. Notemos que há critérios não coerentes com alguns topónimos que, tendo origem em substantivos comuns, integram um adjectivo: cidade de Ponta Delgada, mas freguesia do Campo Grande.

 A forma correcta é fezada, que significa grande fé, esperança. É, na verdade, forma de gíria. José Pedro Machado regista-a no tomo V do seu "Grande Dicionário da Língua Portuguesa", Lisboa, 1989.

Deve escrever-se «matéria-prima» (portanto, com hífen). O plural é «matérias-primas».