História das Línguas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
História das Línguas
Uma Introdução
Tore Janson
Através Editora, 2018 585   

Escrita pelo linguista sueco Tore Janson (Estocolmo, 1936), professor de latim e especialista em língua africanas, História das Línguas – Uma Introdução teve assinalável êxito tanto na Suécia, onde foi inicialmente publicada, como, depois, nos países anglo-saxónicos, com a tradução para inglês que a Oxford University Press publicou em 2012. Uma obra que, como observa no prólogo o linguista português João Veloso (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), começa por retomar um debate que se evita há mais de século e meio: o da origem das línguas naturais entre os seres humanos anatomicamente modernos.

O livro organiza-se em seis partes e 17 capítulos, que, numa linguagem acessível, traçam o percurso do fenómeno da linguagem humana ao longo de milénios, desde os primórdios da espécie, ainda antes da invenção da escrita, até à contemporaneidade, em que o inglês se impõe como língua franca e outras línguas dominam ou pela sua dispersão geográfica (é o que acontece com o espanhol), ou pelo seu peso demográfico (caso do mandarim). A presente tradução portuguesa tem a chancela da Através Editora, propriedade da Associação Galega da Língua (AGAL), organização que tem defendido a aproximação e até integração do galego na órbita da lusofonia. A publicação desta obra, com outras que têm chegado ao mercado livreiro a sul do Minho, assinala (também) uma tentativa muito importante de a Galiza ter expressão editorial no mundo de língua portuguesa.

Obs.: A tradução da obra de Tore Janson visa todo o mundo de língua portuguesa, adotando, aparentemente, as características do português contemporâneo, sobretudo na variedade normativa de Portugal. Encontram-se, mesmo assim, lapsos que uma próxima edição facilmente corrigirá; e transparecem construções mais marcadamente galegas, a par de outras identificáveis com certos padrões brasileiros (por exemplo, na colocação do pronome átono em construções com auxiliar) e até com o castelhano. Trata-se de oscilações a avaliar numa próxima oportunidade, ainda que talvez interpretáveis como formas (intencionais ou não) de definir uma modalidade galega na escrita da língua portuguesa.

Carlos Rocha