«Tráfego marítimo»
e não "tráfico comercial"
Disse-se na CNN Portugal, a propósito das tensões recentes em torno da Gronelândia e da posição estratégica do Panamá na rota para a China, que o país «é essencial para o tráfico comercial em termos de navios para a China». Não é isto que acontece. Ou melhor, não nesse sentido.
Em português, as palavras tráfego e tráfico são distintas. Segundo o Dicionário da Academia das Ciências: tráfego refere-se à «circulação, movimento de pessoas, veículos e mercadorias». É o que acontece no Canal do Panamá, por onde passam navios, contentores e toda a logística marítima global; já tráfico, por outro lado, significa «comércio proibido, clandestino ou ilícito».
Portanto, dizer que o Panamá é essencial para o tráfico comercial pode sugerir que o canal funciona como ponto de passagem para atividades ilegais, o que, salvo notícias que nos tenham escapado, não é o caso.
Portanto, o que se queria dizer era tráfego marítimo: «[o Panamá] é essencial para o tráfego comercial em termos de navios para a China». A importância do Panamá nesse tráfego é evidente. No tráfico, não!
Em suma, trata-se apenas disso: duas palavras diferentes para realidades diferentes. E convém usá-las como tal.
