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Reunir ≠ reunir-se – ou como persistir anos a fio no mesmo erro
Reunir ≠ reunir-se
– ou como persistir anos a fio no mesmo erro

Se o Conselho de Ministros o que teve foi uma reunião entre (ou com) os seus membros na antiga cadeia da polícia politica portuguesa do tempo anterior ao 25 de Abril de 1974 – doravante transformada num «museu nacional dedicado à preservação da memória da luta contra o fascismo e a ditadura, e afirmação da liberdade e da democracia» –, então... reuniu-se (e não reuniu). Ou seja, o verbo teria de estar conjugado pronominalmente, na sua forma reflexa.

Usá-lo como verbo transitivo*, como se escreveu na maioria dos media portugueses, é um erro cuja persistência de anos a fio reflete bem o desleixo e o mau uso da língua que galopa pelo espaço mediático nacional. E, no caso, sem culpas no cartório habitual do Acordo Ortográfico...

* Para o verbo reunir ser usado como transitivo, só se a notícia fosse outra. Em vez da referida reunião simbólica do Governo português no Forte de Peniche, seria por exemplo esta: «Governo português reúne no Forte de Peniche antigos políticos para lhes prestar homenagem.»

Sobre o autor

Jornalista português, cofundador (com João Carreira Bom) e responsável editorial do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Autor do programa televisivo Cuidado com a Língua!, cuja primeira série se encontra recolhida em livro, em colaboração com a professora Maria Regina Rocha. Ver mais aqui.