"Interviu" – esse mistério da inexistência tantas vezes às claras - Pelourinho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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"Interviu" – esse mistério da inexistência tantas vezes às claras
"Interviu" – esse mistério da inexistência tantas vezes às claras

Segundo informou o Diário de NotíciasJoana Marques Vidal, a procuradora-geral da República portuguesa, interviu «de forma clara» no polémico caso  de adoção das crianças pela IURD. Até pode ser que nada se lhe possa mesmo assacar quando, ao tempo, exercia as funções de coordenação dos magistrados do Ministério Público no Tribunal de Família e Menores. Aquele interviu é que não é nada claro. É, aliás, tão obscuro que nem existe – embora se tenha transformado há muito num completo mistério como consegue na sua inexistência aparecer tantas vezes às claras nos media em língua portuguesa...

Que oiçamos vezes sem conta a forma errada do verbo intervir, ainda vá-que-não-vá, há ali uma simpatia imediata  com o verbo ver… Escarrapachada, porém,  num jornal considerado de referência e que já contou nos seus quadros excelentes revisores de imprensa, custa, oh se custa!...

Pela enésima vez neste espaço, relembramos a regra que é bem simples: sendo um composto de vir, seguirá o seu progenitor na conjugação verbal – neste caso, o pretérito perfeito, na 3.ª pessoa do singular, interveio:

 

eu

intervim

 

 

tu

intervieste

 

ele/ela

interveio

 

nós

interviemos

 

 

vós

interviestes

 

 

eles/elas

intervieram

 

Sobre a autora

Professora portuguesa, licenciada em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com tese de mestrado sobre Eugénio de Andrade, na Universidade de Toulouse; classificadora das provas de exame nacional de Português, no Ensino Secundário.