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O nosso idioma // Língua, cultura e sociedade

A expressão «refúgio climático»

Da linguística ao calor extremo em Lisboa

«Temos tendência para tratar cada onda de calor como uma surpresa histórica

Há uns dias, sentado numa secretária da nossa redação, o linguista Marco Neves contou-me esta história: um homem que, depois do terramoto de 1755, tão (ou mais) preocupado com a reconstrução da língua portuguesa como com a reconstrução de Lisboa, resolve escrever um livro em que leva a língua ao médico, sob o pretexto de se estar a perder a forma "correta" de se falar.

Soa-lhe familiar?

É um consolo saber que a frase «isto agora já ninguém fala português como antigamente» tem, pelo menos, dois séculos e meio de tradição. Aliás, também foi no século XVIII que alguém registou a expressão «estás todo mamado», sabia?

Ok, mas o que é que isto tem a ver com o calor que Lisboa enfrenta esta semana? - perguntar-se-á.

É que, tal como aquele homem acreditava estar a viver uma degradação inédita da língua portuguesa, também nós temos tendência para tratar cada onda de calor como uma surpresa histórica. Mas o problema do calor extremo não é ser novo. É precisamente ser antigo o suficiente para já não podermos responder ao espanto com espanto, mas com política e planeamento, num país que, há muito, nos avisa de que está a aquecer. Lembra-se de 2022, quando localidades do país chegaram aos 47 graus?

Houve um tempo em que 40 graus era manchete. E a fama consolidou-se: Lisboa é uma das cidades europeias mais vulneráveis às temperaturas extremas. Então, o que fazer? A resposta passa tanto pelas políticas públicas como pelos lugares concretos onde ainda é possível encontrar sombra, água e algum alívio.

Que lugares são estes? O Frederico Raposo explica tudo [...]:

«[...] O que são refúgios climáticos? É “auto explicativo”, diz António Lopes, especialista em climatologia urbana, investigador e professor no IGOT. São “áreas onde nos podemos refugiar dos extremos”. “As igrejas, por exemplo, são ótimos locais, porque normalmente o seu interior não aquece muito. São refúgios climáticos por natureza, por causa da sua forma de construção.”

Mas muitos outros lugares se qualificam, explica Cláudia Reis. Refúgios climáticos podem ser “espaços públicos refrigerados, centros comerciais com ar condicionado, espaços verdes com sombra, com disponibilidade de água”. Jardins, bibliotecas, museus, estações de metro.»

Fonte

Editorial do boletim de 03/07/2026 do jornal digital A Mensagem de Lisboa.

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