Encarregados de Educação e alunos na sala de aula - Ensino - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Encarregados de Educação e alunos na sala de aula
Encarregados de Educação e alunos na sala de aula
A ESIC aposta no sucesso dos alunos!

«Fi-los meditar, refletir em conjunto. Interpretar. Sentir. E o ensino/aprendizagem ganhou algum sentido. A partir daqui, os pais/encarregados de educação passaram a fazer parte da turma.»

 

Os tempos mudaram e os professores, se querem continuar a fazer aquilo que os motivou a escolher essa profissão, muitas vezes inventam, reinventam, adaptam-se, readaptam-se, numa busca incessante de se sentirem úteis, de se fazerem ouvir, de ensinarem e de procurarem que os alunos aprendam, efetivamente.

A minha longa experiência no ensino fez-me ponderar. Habituada ao ensino secundário, regressei aos sétimos anos, com a suprema esperança de conduzir ao encantamento pela Língua Portuguesa, se começasse pelos mais pequenos.

Contudo, deparei-me com fortes concorrentes, que não existiam noutros tempos: os telemóveis, os computadores, os múltiplos canais de televisão, os jogos eletrónicos. Tudo o que eu tinha para oferecer a estes jovens era aborrecido, desinteressante. A leitura, cansativa. A gramática, inútil. A escrita, complicada.

Nunca fui de me resignar. Levei a poesia para as aulas. A poesia e a música. A poesia, a música e os encarregados de educação. Misturei-os a todos. Envolvi-os. Uni-os. Fi-los meditar, refletir em conjunto. Interpretar. Sentir. E o ensino/aprendizagem ganhou algum sentido. A partir daqui, os pais/encarregados de educação passaram a fazer parte da turma. Sempre que estivessem disponíveis, a porta da sala de aula estava aberta. Nem precisavam de avisar. Devo acrescentar o grande apoio e confiança que em mim depositou a direção da Escola Secundária Inês de Castro (ESIC, em Vila Nova de Gaia), sempre focada no sucesso dos alunos.

Certo é que o seu comportamento era melhor, sempre que havia outros adultos a participar. Alguns destes iam para aprender, outros para colaborar e cooperar comigo, ajudando a manter o silêncio, necessário a todo o processo; e, na verdade, com quase trinta alunos na sala de aula, não é fácil, pois alguns deles estão ali por obrigação e nada lhes interessa.

Nesta altura em que faço um balanço daquilo que fiz, penso que foi uma das melhores experiências da minha vida: a sala de aula é um jardim e, quando se trata de crianças /jovens, todos somos necessários para os ajudar a crescer.

Sobre a autora

Professora de Português e Francês no ensino secundário, na Escola Secundária Inês de Castro (Vila Nova de Gaia). Licenciada em 1992 pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem mais de trinta livros (escolares, romances e infantis) publicados, entre os quais se contam Português atual, Manual do Bom Português Atual, Língua Portuguesa e Matemática, bem como edições escolares do Auto da Barca do Inferno e de Os Lusíadas. Formadora na área de Língua Portuguesa, em centros de formação para professores, em colégios privados, na Universidade Católica, na  Sonae, no Jornal de Notícias, no Porto Canal; a convite do Instituto Politécnico de Macau, em 2014, deu também formação a professores universitários chineses. Desde 2012, mantém uma crónica semanal no Jornal de Notícias, intitulada "Português Atual". Foi responsável por uma rubrica diária sobre língua portuguesa no Porto Canal. Elaborou um contributo para o grupo de trabalho parlamentar para avaliação do impacto da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. Em 2018, foi-lhe atribuída a medalha de mérito cultural pela Câmara Municipal de Gaia.