Pelourinho // Mau uso da língua no espaço público "Expólio" cultural A Fundação Serralves trocada por uma inexistente "Fundação Serra Alves" e o «"expólio" exposto» do fotógrafo Eduardo Gageiro assinalados neste texto publicado no jornal "i" de 21-02-2013. Aos domingos, quando chefes e editores descansam, as redacções reduzem os cuidados com as notícias. O número de asneiras aumenta. Wilton Fonseca · 23 de fevereiro de 2013 · 4K
O nosso idioma // O português em Angola Manter como sinónimo de casar Edno Pimentel As particularidades do português de Angola passam a ter um espaço próprio em O Nosso Idioma através da colocação em linha das crónicas do "Professor Ferrão", assinadas por Edno Pimentel e publicadas no jornal Nova Gazeta, de Luanda. Neste primeiro texto apresentado no Ciberdúvidas, o tema é o verbo manter, usado em Angola como sinónimo de contrair uma relação conjugal, ou seja, de casar. – Nunca mais te vi. Pensei que já manteste! – Adivinhaste. Já manteu mesmo. Edno Pimentel · 22 de fevereiro de 2013 · 3K
O nosso idioma // Léxico À volta de «colmeadinho» e «dinheiro acrescentado» Desprezamos muitas vezes, por puro snobismo linguístico, os nossos regionalismos. Alguns deles verdadeiras pérolas de economia e de expressividade. Tudo em prol de uma língua formatada, uniformizada. Igual no Minho e no Algarve. Paulo J. S. Barata · 21 de fevereiro de 2013 · 5K
Pelourinho // Mau uso da língua no espaço público Aquele e àquele A propósito das recentes di(con)vergências entre António Costa e António José Seguro, o principal semanário português publica um texto que traça uma espécie de biografia comparada de ambos, no qual, a dado trecho, se diz: «Mesmo que subliminar, há um certo 'preconceito de classe' deste em relação aquele» (Expresso, n.º 2101, de 2 de fevereiro de 2013, caderno principal, p. 5). Paulo J. S. Barata · 20 de fevereiro de 2013 · 16K
Pelourinho // Estrangeirismos O recorrente erro do realizar (por perceber) Num artigo em forma de carta dirigida ao ministro Álvaro Santos Pereira, Miguel Sousa Tavares reincide no mau uso do verbo realizar. A frase é esta: «Acontece, Álvaro, por aquilo que já me foi dado perceber,que você ainda não realizou bem onde está: num país chamado Portugal»(Expresso, primeiro caderno, p. 7) Deveria lá estar obviamente entendeu ou compreendeu, em lugar de "realizou", um «falso amigo» oriundo de uma tradução indevida do verbo inglês to realize, que significa perceber, compreender, entender. (...) Paulo J. S. Barata · 20 de fevereiro de 2013 · 8K
Pelourinho // Corruptela Envangelho?! Há uns dias, aproveitando um feriado, terminei finalmente a leitura do Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago. Paulo J. S. Barata · 20 de fevereiro de 2013 · 5K
Pelourinho E se a revisão filológica fosse mais rigorosa? A linguagem literária permite liberdades estilísticas que a linguagem referencial, assente na norma, não aceita. As escritas dos porventura dois mais representativos escritores da nossa contemporaneidade, José Saramago e António Lobo Antunes, são, aliás, disso bons exemplos. E ainda bem que assim é, pois só assim a língua se recria, se reinventa, se enriquece. Pessoalmente, leio com grande prazer os textos de um e de outro. Paulo J. S. Barata · 20 de fevereiro de 2013 · 5K
Pelourinho Uma Beneficiência não beneficente Um dia destes chegou-me às mãos uma correspondência do Tribunal Central Administrativo do Sul (TCAS). O TCAS fica situado na Rua da Beneficência, em Lisboa, porém, o sobrescrito a que tive acesso refere Rua da Beneficiência. Paulo J. S. Barata · 20 de fevereiro de 2013 · 4K
Pelourinho Porquê “bazookada”?! Surpreendi no jornal português Record (n.º 11 848, de 20 de setembro de 2011, p. 40) a palavra bazookada (do inglês bazooka), confirmando uma tendência recente para alguns aportuguesamentos de contestável legitimidade. Neste caso, ainda por cima, não há nenhuma razão para que não se proceda ao seu aportuguesamento regular, desde logo porque já existem palavras da mesma família em português. Paulo J. S. Barata · 20 de fevereiro de 2013 · 5K
Antologia // Brasil Antigamente (II) «ANTIGAMENTE, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais, e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica» Extrato de uma crónica de Carlos Drumond de Andrade, in Quadrante (1962), obra coletiva reproduzida em Caminhos de João Brandão, José Olympio, 1970 Carlos Drummond de Andrade (1902 — 1987) · 18 de fevereiro de 2013 · 6K