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Um cálice de vinho do Porto

Expressões que ficam até quando?

Há palavras e expressões que permanecem na língua, mesmo quando os hábitos a que se associam se alteram. É talvez o caso de «cálice de vinho do Porto», expressão que surgiu recentemente numa notícia da CNN Portugal sobre Salman Rushdie e que convida a revisitar o significado da palavra cálice e o seu uso no português contemporâneo. Com efeito, embora atualmente o vinho do Porto seja habitualmente servido em copos, alguns especificamente concebidos para esse efeito, a expressão tradicional continua a ser usada.

Na realidade, essa mudança dos hábitos de serviço não tornou incorreta a designação. O vocábulo cálice (do latim calix, calicis) conserva, em português, a aceção de «copo geralmente com pé e que serve para beber vinhos finos [e] licores», conforme regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa. O mesmo dicionário documenta esse significado com exemplos como «chamou a criada para que recolhesse o vinho do Porto e lavasse os cálices» (Jorge de Sena, Sinais de Fogo) e «Costumava deitar um cálice de vinho do Porto no salame de chocolate».

Assim, «cálice de vinho do Porto» (ou, por elipse, «cálice de Porto») continua a ser uma designação legítima e consagrada pelo uso. Embora o recipiente atualmente utilizado para servir o vinho do Porto seja, em regra, um copo, a expressão tradicional permanece viva, reconhecida pelos dicionários e documentada na literatura. Porém, se a intenção for referir o recipiente que hoje é habitualmente utilizado para servir o vinho do Porto, a expressão «copo de vinho do Porto» refletirá melhor os usos atuais; do ponto de vista lexical, contudo, «cálice de vinho do Porto» continua a ser uma expressão plenamente correta.

Fonte

https://www.facebook.com/cnnportugal/posts/pfbid02XBStztbBUPrajbXDPRBwft8MAXix21cz85BQqdUwT56GFoz9DQYGUWcmXwYumNFjl

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