Poema de Eugénio de Andrade:
Que fizeste das palavras?
Que contas darás dessas vogais?
de um azul tão apaziguado?
E das consoantes, que lhes dirás?
ardendo entre o fulgor
das laranjas e do sol dos cavalos?
Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram?
Este poema está relacionado com a parábola dos talentos e com a parábola das sementes.
«Um homem (rico) chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um, entregou cinco talentos; a outro, dois, e a outro, um, a cada um conforme a sua capacidade... Aquele que recebeu cinco ganhou outros cinco. Aquele que recebeu dois ganhou outros dois... O terceiro devolveu apenas o talento que recebera... E o senhor disse que ele era um mau servo e preguiçoso.»
«O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Quer esteja a dormir, quer se levante... a semente germina e cresce...»
Assim podemos comparar as palavras aos talentos e às sementes. A fala é um valioso talento dos seres humanos que pode render como as sementes que se desenvolvem, que se multiplicam e que frutificam e que nos alimentam.