Oximoro: «Uma aprendizagem de desaprender»

No verso de Caeiro «uma aprendizagem de desaprender», estamos perante um paradoxo ou um oximoro?

Albino Maria Estudante Castelo Branco, Portugal 4K

O verso de Alberto Caeiro «uma aprendizagem de desaprender» reúne as condições próprias do oximoro1, a saber:

— Apresenta uma expressão antitética, ou seja, uma expressão com dois termos com significados opostos (aprendizagem/desaprender);

— Apresenta um paradoxo, uma vez que esses dois termos estabelecem entre si uma relação parodoxal; ou seja, verifica-se uma contradição a nível de sentido (ou há aprendizagem ou há desaprender; como pode haver, no desaprender, aprendizagem?);

— Essa relação parodoxal dos dois termos antitéticos implica uma interpretação do leitor, da qual resulta um novo conceito.

Por exemplo:

Este verso exprime a necessidade que o poeta tem de se libertar de todos os condicionalismos de ordem intelectual, virando-se para aquilo que existe em si de espontâneo, livre e puro…

O oximoro implica que haja, numa só expressão, antítese e paradoxo.

São exemplos de oximoros, entre muitas, as seguintes expressões:

instante eterno; lúcida loucura; grito do silêncio; obscura claridade.

1 N. E.: Oximoro ou oxímoro — a palavra pode ser acentuada das duas maneiras (ver perguntas relacionadas).

Maria João Matos