"O" e "-o" no Brasil (e em Portugal) - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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"O" e "-o" no Brasil (e em Portugal)

Parece que muitos brasileiros não querem admitir que pronunciam o (artigo) e -o (vogal final) como /u/. Eles falam /u/ mas dizem que isso não é /u/ e que é sim /ó/.

Vejamos:

a mãe

ó mãe

ó pai

o pai

Ó pai e o pai /u pai/ não são a mesma coisa.

Parece-me que quando se grita ou fala devagar -o e o (artigo) soam mais como ô ou até como ó. Isso acontece no Brasil, mais também em Portugal!!!

Por exemplo:

Bernardooooooo! é /bernardôôôôôôôôôô/ ! e não /bernarduuuuuuuuuu/!

Porque tanta alteração do timbre? É a grafia para culpar, acho eu, se a vogal "o" final se escrevesse como -u (como em romeno) isso não aconteceria.

Mas, porque é que se a vogal -o final e a palavra o pronunciam como /u/? (em Portugal qualquer vogal o átona pronuncia se assim, por isso dormir /durmir/ deu durmo, chover /chuver/ deu chuva e não chova...)

Obrigado.

T. Sugnetic Croácia 5K

Em Portugal, sem excepção, o e a finais átonos são sempre fechados, como sabe, ou melhor pronunciados u e â.

Infelizmente a nossa ortografia não é a maravilha da romena, completamente sónica, o que foi possível por há século e meio ter deitado fora o seu dificílimo e particular cirílico, o que possibilitou enfiar-lhe uma roupagem inteiramente nova, feita por medida! A portuguesa não é das piores, mas é claro que poderia ser muito mais simples, se não fosse a larga tradição que a acompanha.

Por curiosidade: chuva vem do arcaico dialectal chuiva, do latim pluvia- (aqui o u tónico apesar de ser breve deu u!), ao passo que chover provém do lat. plovere, popular por pluere.

F. V. Peixoto da Fonseca