Na frase «Quem elas vão defender: nós ou eles?», os pronomes nós e eles não funcionam como complemento do verbo, e sim como aposto explicativo do objeto direto quem — «Elas vão defender quem: nós ou eles?»
Normalmente, o aposto vem logo após o nome a que se refere, mas isso não o impede que esteja mais à frente na frase. Veja este exemplo extraído da gramática de Celso Cunha e Lindley Cintra:
«Tudo o fazia lembrar-se dela: a manhã, os pássaros, o mar, o azul do céu, as flores, os campos, os jardins, a relva, as casas, as fontes, sobretudo as fontes, principalmente as fontes.» (Almada Negreiros, NG, 112.)
Observe que todo o segmento após os dois-pontos funciona como aposto do sujeito «Tudo».
Quanto ao emprego da preposição a antes de nós e eles, isso apenas se justificaria se o termo retomado pelo aposto já estivesse introduzido por preposição, como se vê neste passo encontrado na gramática dos autores já citados:
«Foi o que sucedeu ao seu maior amigo, ao Abel, quando andavam na traineira do Domingos Peixe.» (Alves Redol, FM, 173.)
Reforçando isso, ensina Domingos Paschoal Cegalla em sua gramática que o «aposto que se refere a objeto indireto, complemento nominal ou adjunto adverbial vem precedido de preposição» e incluo, por analogia, o objeto direto preposicionado. Eis os respectivos exemplos:
– O patrão perdoou aos dois: ao caixa e ao gerente.
– De escuro, lagartixa, barata, de tudo ela tinha medo.
– Acho que acordei por tudo, pelo cheiro de tinta na parede, pelo barulho externo, pelo frio da casa...
– A quem elas vão defender: a nós ou a eles?
Em suma, existem duas possibilidades:
– Quem elas vão defender: nós ou eles?
– A quem elas vão defender: a nós ou a eles?
Sempre às ordens!