Cartaxeiro e cartaxense, gentílicos do Cartaxo (Portugal) - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Cartaxeiro e cartaxense, gentílicos do Cartaxo (Portugal)

Qual a forma (mais) correta de designar o natural da cidade do Cartaxo (Portugal): cartaxeiro, ou cartaxense? Adicionalmente, ao referir-se, por exemplo, à indústria localizada naquela cidade/Concelho do Cartaxo, como designar: «indústria cartaxense», ou «indústria cartaxeira»?

Roberto de Souza Economista Carcavelos, Portugal 3K

O natural da cidade do Cartaxo, no distrito de Santarém (Portugal), chama-se cartaxeiro (de Cartaxo, top. + -eiro), mas também se pode designar por cartaxense, pois as duas formas encontram-se atestadas pelo Dicionário de Gentílicos e Topónimos, recurso disponível no Portal da Língua Portuguesa, da responsabilidade do ILTEC (Instituto de Linguística Teórica e Computacional).

 

Assim, a «indústria localizada naquela cidade» denomina-se «indústria cartaxeira» ou «indústria cartaxense».

É de referir, também, que o Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora, diz que o adjetivo cartaxeiro é «relativo ou pertencente ao Cartaxo, no distrito de Santarém, ou que é seu natural ou habitante», e o nome (substantivo) quer dizer «natural ou habitante do Cartaxo», do que se depreende que indica como aconselhável esta forma, enquanto o Dicionário Eletrônico Houaiss, por sua vez, considera cartaxense a forma preferível.

De qualquer modo, cartaxeiro e cartaxense, quer como adjetivos quer como nomes/substantivos, são as duas formas igualmente corretas, dado que são bem formadas, uma vez que os gentílicos são formados por sufixos, entre os quais constam -ense (um dos mais comuns) e -eiro.

Nota: Sobre este tema, o Dicionário de Gentílicos e Topónimos é bastante esclarecedor: «Quando designamos alguém em função do país, da região, da província, da localidade em que nasceu ou de onde alguém ou alguma coisa procede, estamos a utilizar um gentílico. Existem várias formas de criar gentílicos. Os mais comuns são os formados por sufixos como -ês (português), -ense (macaense) e -ano (americano). Porém, a formação dos gentílicos nem sempre consiste na mera junção de um sufixo à base do topónimo (nome de um sítio ou local), existindo processos mais complexos, por vezes com justificações etimológicas ou históricas: por exemplo, o gentílico de Castelo Branco é albicastrense e não *castelo-branquês, *castelo-branquense ou *castelo-brancano.»

Carlos Marinheiro