Sandra Pereira - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Sandra Pereira
Sandra Pereira
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Doutoramento em Linguística (Linguística Portuguesa) Universidade de Lisboa.

 
Textos publicados pela autora

Em primeiro lugar, não me parece que os lisboetas tenham tendência para não pronunciar os ditongos. Se olharmos para os traços diferenciadores dos dialectos galego-portugueses propostos por Lindley Cintra (Estudos de Dialectologia Portuguesa), notamos que a zona de Lisboa pertence aos dialectos portugueses centro-meridionais, em que um dos traços é a pronúncia de /ei/ como [e]. Ora, isso de facto acontece no Alentejo mas não em Lisboa; podemos ouvir um alentejano a dizer [lête] mas um lisboeta dirá, com certeza, [leite].
Relativamente à pronúncia do número treze como [treuze], parece ser um fenómeno social que começou em Lisboa (talvez com locutores da rádio e da televisão??) mas que actualmente se estende ao resto do país (com a variante de [trelze]). E esse é, de facto, o exemplo mais evidente da pronúncia de um ditongo (no caso de [trewze]) onde ele não existia.

O termo picacho, de acordo com o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de Morais, vem de pico e significa «ponta, pico». Relativamente à palavra “carandilheira”, não a encontrei atestada em nenhum dicionário de português e parece-me que, em contextos de língua portuguesa, só ocorre na canção que refere.

 

A linguagem icónica, como o próprio nome indica, baseia-se em ícones. Segundo a definição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é um «signo que apresenta uma relação de semelhança ou analogia com o objecto que representa (como uma fotografia, uma estátua ou um desenho figurativo)».
Como exemplo deste tipo de linguagem, este dicionário refere o desenho de uma faca e um garfo cruzados que indicam proximidade de um restaurante.

Segundo o Dicionário de Termos Linguísticos, som é «o resultado das variações de pressão num meio natural provocadas por vibração de ar». Ou seja, qualquer vibração provocada pelas cordas vocais é um som sem ser necessariamente um acto de fala.

O mesmo dicionário define assim o fone: «[É] a mais pequena unidade discreta, perceptível num contínuo sonoro, que constitui a especificação fonética do som de fala. É portanto uma unidade concreta, a realização física de unidades de outro nível, os fonemas». Ou seja, aquilo que se produz fisicamente em fala é um conjunto de fones que estão representados abstractamente como fonemas no sistema fonológico.

Verbos como cortar aceitam dois particípios: um regular (cortado), outro irregular ou truncado, como lhe chama a Revista Lusitana (corto). A forma comum no português padrão é a primeira, embora em algumas zonas de Portugal, nomeadamente no Sul, as duas formas se encontrem em variação, podendo até nesses diale(c)tos ser mais ouvida a forma truncada. Ambas existem e a variação é possível.