Maria Regina Rocha - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
Textos publicados pela autora

Pergunta:

A minha dúvida é acerca da agora muito falada TLEBS. No fundo, que alterações é que vai haver?
Sem mais assunto, obrigado e saúde a todos!

Resposta:

TLEBS é uma sigla que significa Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário. Esta terminologia foi mandada adoptar pela portaria n.º 1488/2004, de 24 de Dezembro.
Ora a sua pergunta, caro consulente, exige uma resposta muito vasta, uma resposta que foge do âmbito desta página, pois seriam necessárias muitas páginas, mesmo uma obra, para explicar todas as alterações que a TLEBS introduziu na designação, descrição e instituição dos factos da língua portuguesa em relação à Nomenclatura Gramatical Portuguesa (NGP), que vigorou até à data da publicação da referida portaria.
No entanto, de uma forma genérica, poderei referir as seguintes alterações:
1. A TLEBS organiza-se em quatro domínios (A – Língua, comunidade linguística, variação e mudança; B – Linguística descritiva; C – Dicionário; D – Representação gráfica da linguagem), enquanto a NGP (Nomenclatura Gramatical Portuguesa) organizava os factos linguísticos em três partes, duas fundamentais (a Morfologia e a Sintaxe) e uma terceira intitulada “Outra nomenclatura linguística mais necessária ao ensino”.

2. Cada domínio da TLEBS organiza-se em subdomínios, e cada parte da NGB organizava-se em capítulos, sendo diferentes não só a forma de organização como os respectivos conteúdos.

2.1. TLEBS – Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário
A. Língua, Comunidade Linguística e Mudança
A1) Comunidade linguística
A2) Língua e falante
A3) Variação e normalização linguística
A4) Tipologia linguística
A5) Contacto entre línguas
A6) Mudança linguística

B. Linguística Descritiva
B1) Fonética e fonologia
B2) Morfologia
B3) Classes de palavras
B4) Sintaxe
B5) Semântica lexical
B6) Semântica frásica <...

    A letra k não figura oficialmente no alfabeto de língua portuguesa, salvo em casos excepcionais. Mas, nas comunicações na Internet, os chamados “chats”, o seu uso tem-se generalizado, sobretudo entre as camadas mais jovens, que no símbolo k sintetizam o c e o qu.
     São códigos que surgem espontaneamente, que funcionam, e a isso nada temos a opor, desde que os seus utilizadores saibam que esse uso tem um context...

«Quando a gente confia, arrependemo-nos quase sempre», escreveu Joaquim Letria, na sua coluna diária do jornal “24 Horas” de 24 de Outubro p.p.

Com o termo «a gente», os verbos dependentes (“confiar” e “arrepender-se”) têm de ir para a 3.ª pessoa do singular: «Quando a gente confia, arrepende-se quase sempre»” Se se quiser subentender o sujeito “nós”, então, ambos os verbos deverão ir para a 1.ª pessoa do plural: «Quando confiamos, arrependemo-nos quase sempre.» 

Melhor ( comparativo de bom) e mais bem (comparativo de bem) continuam com as voltas trocadas…na televisão portuguesa. Dois (maus) exemplos recentes:

«Os próprios trabalhadores da PT são os primeiros a querer que a empresa progrida, seja melhor gerida (...).»

«Na luta pelo título [da Fórmula 1], Fernando Alonso está melhor classificado e, por agora, a situação parece correr a favor do piloto espanhol.»

Numa e noutra frases, errou-se no emprego do melhor – em vez do mais bem

     Judite de Sousa, “Telejornal”, RTP-1, 22 de Outubro p.p., sobre o mau tempo em Portugal: «O Porto é um dos onze distritos que está em alerta laranja».
     O verbo deveria ter ido para o plural («O Porto é um dos onze distritos que estão em alerta laranja»), pois a expressão «um dos» + substantivo + que leva o verbo para o plural. No caso, o sujeito de «estar em alerta» são os onze distritos: há onze distritos que estão em alerta e o Porto é um deles.

     Cf. Sou um dos que dizem