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Manuel Bandeira
Manuel Bandeira
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Manuel Bandeira (Recife, 1886 – Rio de Janeiro, 1968), formado na área das Humanidades e Membro da Academia Brasileira das letras, foi crítico literário e de arte, tradutor, professor de literatura em colégios brasileiros e na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, e escritor. Da sua obra literária fazem parte a poesia A Cinza das Horas (1917), Libertinagem (1930) e a prosa Guia de Ouro Preto (1938), Andorinha, Andorinha (1966).

 
Textos publicados pelo autor


[…]
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Quando n'alma pesar de tua raça
a névoa da apagada e vil tristeza,
busque ela sempre a glória que não passa,
em teu poema de heroísmo e de beleza.

Génio purificado na desgraça,
tu resumiste em ti toda a grandeza:
poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça
o amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente
da estirpe que em perigos sublimados
plantou a cruz em cada continente,

não mor...


Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namor...