Helena Ventura - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Helena Ventura
Helena Ventura
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Licenciada em Filologia Germânica, pós-graduação em Linguística. Autora, entre outras obras, do Guia Prático de Verbos com Preposições.

 
Textos publicados pela autora

Exactamente. Diz-se «gostar de»: «dê um presente à pessoa de quem gosta» — porque se trata de uma pessoa, usamos quem (ou, também, que).

Quando tratamos de coisas ou animais, usamos só que. Ex.: «Escolho a cor de que mais gosto; acaricio o meu cão, o animal de que mais gosto.»

O verbo enviar rege a preposição para quando referimos lugares, cidades, países. Exs.: «Enviei algumas intenções para o Santuário.»; «Enviei a encomenda para o Brasil, para Porto Seguro.» Usa-se a regência com a preposição a quando referimos pessoas. Ex.: «Enviei a encomenda à minha amiga.»

Quanto ao vocábulo preparação, depende do contexto em que é utilizado:

a) se queremos referir o aspecto determinativo, usamos de; ex.: «Vamos agora iniciar a preparação do cozinhado»;

b) se queremos referir um propósito, uma finalidade, usamos para; ex.: «Eles começaram a preparação para os exames.»

A regência correcta de enamorar-se é com a preposição de. Exs.:

«A violoncelista enamorou-se do colega e fixou residência no país onde estagiava.»

«Estavam cada vez mais enamorados um do outro.»

Notas:

1. A preposição por usa-se com o verbo (com significado idêntico) apaixonar-se. Ex.:

«Apaixonou-se por Lisboa.»

«Estava apaixonado por Lisboa.»

2. Sem o pronome se, os verbos enamorar e apaixonar são transitivos directos: «Qualquer coisa enamora os jovens»; «Sua beleza e doçura apaixonaram o severo cinquentão» (Aulete Digital).

Dependendo do contexto, assim as regências podem variar. Por exemplo:

— Num contexto em que o verbo ocupar tem o significado de «preencher», podemos usar com ou em. Ex.: «Depois da aposentação, ela tinha de arranjar alguma coisa com/em que ocupar o espírito.»

— Quando o verbo é conjugado reflexamente, com o significado de «tratar», «versar», usamos de. Ex.: «O jornal ocupa-se apenas de assuntos económicos.»

— Quando o verbo significa «tomar a seu cargo/ao seu cuidado», usamos de. Ex.: «A mulher ocupava-se da casa e dos filhos.»

— Quando o verbo tem o significado relacionado com alguma actividade ou profissão, usamos em. Ex.: «Em que é que se ocupa ela agora?»

— Quando o verbo tem o significado de «cuidar de», usamos em. Ex.: «... mas, enquanto nos ocupávamos em defender a praia...» (Padre. Ant.º Vieira, Cartas).

— Quando o verbo tem o significado de «dedicar-se a», usamos em. Ex.: «... ocupava-se até pela manhã na lição da Sagrada Escritura...» (Frei Luís de Sousa, Vida do Arcebispo).

O verbo privar é um verbo transitivo indirecto e pode reger as preposições com e de.

a) Privar com: «conviver com, ter relações de amizade com alguém». Ex.: «Quando estudava em Coimbra, privava com uma conhecida família no meio intelectual.»

b) privar-se de: «passar sem; dispensar, prescindir de.» Ex.: «Foram tempos difíceis, em que tivemos de nos privar de muita coisa»; «Privou-se do vinho e do tabaco, por ordem do médico»; «Não se quis privar das suas comodidades»; «A pobre mulher privava-se de tudo, para poder pagar o curso da filha.»

O verbo também pode ser bitransitivo (directo e indirecto), por se construir com objecto directo e indirecto:

c) privar alguém de: «retirar algo a alguém; impedir de; tirar a alguém». Ex.: «O Governo diz que não quer privar os cidadãos dos seus direitos»; «Lamenta-se a decisão do Governo, que privou os jornais [impediu os jornais que tivessem] de receitas»; «Não vos quero privar do prazer de uma bela refeição.»