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Egito Gonçalves
Egito Gonçalves
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Egito Gonçalves (Matosinhos, 1920 – Porto, 2001), foi um poeta, editor e tradutor português. Fundou e dirigiu diversas revistas literárias, como A Serpente (1951) ou Árvore (1952-54). Em 1977, foi-lhe atribuído o Prémio de Tradução Calouste Gulbenkian, da Academia das Ciências de Lisboa, pela selecção de Poemas da Resistência Chilena. Em 1995, obteve o prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com E No Entanto Move-se. O seu último livro, Entre Mim e a Minha Morte Há Ainda um Copo de Crepúsculo, foi editado cinco anos depois da sua morte.

 
Textos publicados pelo autor


Com palavras me ergo em cada dia!
Com palavras lavo, nas manhãs, o rosto
E saio para a rua.
Com palavras — inaudíveis — grito
Para rasgar os risos que nos cercam.

Ah!, de palavras estamos todos cheios.
Possuímos arquivos, sabemo-las de cor
Em quatro ou cinco línguas.
Tomamo-las à noite em comprimidos
Para dormir o cansaço.

As palavras embrulham-se na língua.
As mais puras transformam-se, violáceas,
Roxas de silêncio. De que servem
Asfixiadas ...