Afinal, falta o quê? - Pelourinho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Início Português na 1.ª pessoa Pelourinho Artigo
Afinal, falta o quê?
Afinal, falta o quê?
Uma mnemónica para perceber a razão do verbo faltar na terceira pessoa do singular

No excerto da notícia do Jornal de Notícias do dia 16 de outubro, escreve-se que «[...] faltam conhecer 80% cerca de e-mails roubados ao Benfica [...]». Será que o verbo faltar está bem conjugado? A resposta é não. O  correto seria termos o verbo faltar na terceira pessoa do singular, porque o que falta não são os cerca de 80% dos e-mails roubados ao Benfica, mas sim conhecer: falta conhecer. Questione-se sobre o que falta e salta logo à vista a resposta: conhecer cerca de 80% dos e-mails roubados ao Benfica».

Sucintamente, o verbo faltar fica na terceira pessoa do singular sempre que está ligado a um verbo no infinitivo, independentemente de se lhe seguir uma palavra no plural: «Falta comprarmos os livros», «Falta redigir dois textos», «Falta conhecer os novos alunos», etc. 

Note-se, ainda, que a notícia tem outra imprecisão: e-mails. Este substantivo, sendo de origem inglesa, deve ter o tratamento dado a todos os estrangeirismos. Ou o colocamos entre aspas ou em itálico, ou usamos outro tratamento pré-definido pelo jornal para o efeito. Se não existir nenhuma solução gráfica para o caso,  até é preferível optar pelo termo português: correio eletrónico.

Sobre a autora

Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e mestre em Língua e Cultura Portuguesa – PLE/PL2.