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«Mudança que se enquadra
numa política de língua internacional»

O ministro da Cultura [português], José António Pinto Ribeiro, afirmou hoje que vai haver um prazo alargado para a aplicação do acordo ortográfico para que «não haja rupturas desnecessárias».

«O cumprimento não se faz de um dia para o outro. Há professores que têm de ser formados, há “curricula” que tem de ser elaboraos. Tudo será feito com tempo e ordem», sublinhou o ministro da Cultura, à margem da tomada de posse da nova Direcção-Geral das Artes e do subdirector da Cinemateca.

No dia em que se debate o novo Acordo Ortográfico na Assembleia da República, José António Pinto Ribeiro garantiu ainda que «as consequências da aplicação serão devidamente acauteladas também no seio do mercado editorial».

«O próprio mercado está neste momento reestruturado e com capacidade para reagir a isso», disse Pinto Ribeiro.

Apesar de só três países terem até agora ratificado o novo Acordo Ortográfico, o ministro afirmou que «tudo tem sido feito avançando em conjunto».

«Nem todos ratificámos na mesma altura, mas é sempre feito tudo em coordenação entre os países de língua oficial portuguesa», afiançou.

Perante as polémicas que surgiram por conta das novas regras de ortografia, o ministro da Cultura recordou que "não há nenhuma limitação à liberdade criativa".

«Os escritores continuarão a escrever poesia e prosa com a ortografia que entenderem», disse, apesar de «as regras formais passarem a ser outras quando o Acordo for ratificado».

Será, assinalou, uma mudança que se enquadra numa «política de língua internacional».

Ler: Acordo Ortográfico à lupa no parlamento português

Fonte
in agência de notícias portuguesa Lusa, de 7 de Abril de 2008

Sobre o autor

José António Pinto Ribeiro (Quissico, Moçambique, 1946) é um advogado português licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foi professor em diversas universidades, nomeadamente naquela onde se formou, Assessor Jurídico, Ministro da Cultura entre 2007 e 2009 e comentador, colaborando com a TSF e a RTPN. É autor, ainda, de extensa bibliografia, nomeadamente: Empresas Públicas e Concorrência na CEE (1979), Lições de Direito Comercial (1983) e Notas sobre o crime de corrupção e poderes discricionários (1991).