Textos publicados pelo autor
Abominável pastel confuso
Vai para cinco anos, tive ensejo de tecer críticas de vária ordem ao infelicíssimo Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa. Diga-se desde já que, na verdade, o dicionário não resulta do trabalho aturado dos académicos em comissões ou sessões que funcionassem com esse objectivo e muito menos resulta da sedimentação desse trabalho ao longo da existê......
«Mim ser bom pessoa»
As línguas, tal como as nacionalidades, as identidades, os seres humanos, as artes e muitas coisas mais, nunca foram entidades comandadas por uma racionalidade estrita ou por uma lógica sem falhas. Entre nós, já Camilo Castelo Branco ironizava, há bem mais de um século, a propósito, salvo erro, do jovem Joaquim de Vasconcelos, que, regressado da Alemanha, propunha que se dissesse "estejai", em vez de "estai".Vem isto a propósito do livro A Língua Portuguesa em Mudança, organizado por Mar......
O padrão dos... encobrimentos
Não há língua padrão sem a literatura; o ensino daquela não deve separar-se do desta
Sobre a língua padrão, escrevem Lindley Cintra e Celso Cunha que, "embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque actua como modelo, como norma, como ideal linguístico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à variação. Numa língua ex......
O padrão da cena do ódio
Os linguistas, afinal, gostam ou não de literatura? A polémica continua a provocar reacções
Vasco Graça Moura
1. A senhora Dr.ª Inês Duarte ficou muito enxofrada por eu ter dito que os linguistas odeiam a literatura. Escusava de se abespinhar tanto com a minha provocação, porque, como entenderá quem for medianamente capaz de interpretar uma frase no contexto em que......
"Despoletar", etc.
A propósito do meu artigo de há duas semanas, alguns leitores exprimiram-me a sua discordância quanto ao sentido do termo "despoletar", por entenderem que ele significa "impedir uma explosão". Vejamos.
O termo "despoletar" surge registado, pela primeira vez, na 7.ª edição do dicionário da Porto Editora, que é de 1994. Antes disso, não vinha em nenhum dicionário. (...)...
