Rui Gouveia - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Rui Gouveia
Rui Gouveia
1K

Rui Gouveia é revisor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 

 
Textos publicados pelo autor

Esta é uma questão de gosto e de estilo (caligráfica) em que não cabe a noção de correto ou de incorreto. Seria como discutir qual a forma mais correta de escrever uma determinada letra, por exemplo, o e:

​Não se pode dizer que uma seja mais correta que outra, cada pessoa terá a sua forma de escrever. O mesmo acontece com as aspas, sejam elas subidas ou angulares.

Repare que até os processadores de texto podem ter diferentes "caligrafias", conforme o tipo de letra que escolhemos. Há fontes (como se chama a essas coleções de carateres com o mesmo estilo) em que as aspas subidas não têm qualquer inclinação (por exemplo, em Garamond, não há diferença gráfica entre as aspas que abrem e as aspas que fecham), há outras em que as aspas de abertura aparecem de uma determinada maneira, e as de fecho aparecem de maneira invertida (como Times New Roman), do mesmo modo que há outras (como Verdana) em que as primeiras inclinam para a esquerda, e as segundas inclinam para a direita, ou casos em que ambas inclinam para o mesmo lado, seja a esquerda ou a direita.

Tal como não se pode dizer que é mais correto escrever um texto em Times New Roman do que em Verdana, também em termos «manuais» – para usar a sua expressão – não se pode aplicar a noção de «mais correto» ao modo de grafar as aspas. O que deve haver – e se recomenda, seja a título pessoal, seja em qualquer outro registo (institucional, público ou não, publicações de qualquer ordem, como livros ou jornais, etc.) – é uma uniformidade no uso do tipo de aspas escolhido. Para isso existem os livros de estilo, com essas recomendações incluídas.

Por exemplo, aqui no Ciberdúvidas, optámos pela aspas angulares [« »], para as transcrições de obras consultadas e/ou para as citações de alguém ou de algum organismo, e as aspas levan...

Não me parece que o recurso às aspas seja o mais apropriado para desfazer a ambiguidade que possa existir entre a forma substantiva e a forma verbal que a palavra testemunha pode assumir. Para esse efeito, no caso que nos apresenta, dispomos das vírgulas (1), dos parêntesis (2) ou dos travessões (3):

1. «(...) e ele, testemunha, disse que...»

2. «(...) e ele (testemunha) disse que...»

3. «(...) e ele – testemunha – disse que...»

Há, na língua portuguesa, muitas palavras homógrafas (palavras com a mesma grafia e significado diferente), como a deste caso, e é o contexto que costuma encarregar-se de desfazer a eventual confusão.

Sou capaz de concordar consigo. A expressão em apreço não se encontra no seu sentido literal, não significa «artéria urbana das arábias». Estando num sentido figurado (a palavra rua, figuradamente, também significa «massa popular»), de «opinião pública árabe», é boa ideia recorrer ao hífen para desfazer ambiguidades. É graças ao hífen que, por exemplo, não confundimos rabo de cavalo (a cauda do equídeo) com rabo-de-cavalo (o penteado), nem meia noite (metade de uma noite) com meia-noite (a hora em que o relógio marca 0:00 ).

Assim, no contexto referido pelo consulente, rua-árabe revela-se mais eficaz em termos de comunicação, com o hífen a sinalizar o sentido metafórico do composto.

Nas frases em questão, escreva mundo com inicial minúscula, pois não é nome próprio.

Veja os seguintes exemplos:

Em vez de dizermos «Fraternidade em Lisboa», podemos preferir referir-nos a esse topónimo assim: «Fraternidade na cidade», e fazemo-lo sem necessidade de maiúscula em cidade, apesar de aqui valer o mesmo que Lisboa.

Em vez de dizermos «Neste espaço de Portugal», podemos preferir referir-nos a esse topónimo assim: «Neste espaço do país», também sem necessidade de maiúscula em país, embora aqui valha o mesmo que Portugal.

De igual modo, nas frases que nos apresenta, não querendo usar o nome próprio do planeta (Terra), pode usar mundo para referir a mesma realidade, sem necessidade de inicial maiúscula, tal como fazemos em expressões idiomáticas com a mesma palavra, como «correr mundo», «enquanto o mundo for mundo», «vir ao mundo», etc.

Idem’ (abrev.: ‘id.’) – latinismo que significa «o mesmo». Emprega-se para evitar repetições. ‘Ibidem’ (abrev.: ‘ib.’, ‘ibid.’) – latinismo que significa «aí mesmo», «no mesmo lugar». Utiliza-se em citações, com o sentido de «na mesma obra/página». ‘Apud’ – latinismo que significa «junto a», «em». Usa-se em bibliografia para designar a origem de uma citação indirecta. Cf. – Abreviatura de «conferir» ou de «confrontar» ou de «conforme». Usa-se para remeter para outra coisa, uma obra ou um autor, por exemplo. ‘Vide’ – latinismo que significa «vede», imperativo do verbo ver. Tem um emprego semelhante ao de cf., servindo para remeter para qualquer outra coisa. Pode ainda utilizar-se como conjunção, com o sentido de «a exemplo de», «dado», «haja vista». Ex. «Há permanente perigo de ditadura, ‘vide’ a frequência dos golpes de Estado» (cf. Dicionário Houaiss).