DÚVIDAS

CIBERDÚVIDAS

Textos publicados pelo autor

Consultório

O campo semântico do vocábulo livro

Pergunta: Podemos afirmar que uma das formas de elaborar um campo semântico é construí-lo a partir da relação de inclusão (holonímia/meronímia)? Por exemplo, se pedir a um aluno que construa um campo semântico do vocábulo livro, e se a outro pedir que a partir do holónimo livro me dê alguns merónimos, poderei obter exactamente as mesmas palavras, estando ambos correctos?Resposta: Em primeiro lugar, temos de saber o que se entende por campo semântico. Se este termo é equivalente a campo lexical, então podemos pensar numa série...

Consultório

A evolução das palavras bispo e unha

Pergunta: Que fenómenos fonéticos ocorreram na evolução das palavras bispo e unha?Resposta: As palavras unha e bispo evoluíram de palavras latinas. Para indicar os prováveis fenómenos fonéticos ocorridos dessas formas latinas originais (étimos) para as actuais palavras portuguesas, recorro às convenções habituais em linguística histórica: uso >, que significa «mudou para»; *, «forma reconstruída ou hipotética»; os algarismos marcam etapas de evolução. Os esquemas que a...

Consultório

Principalmente

Pergunta: Em Confidências do Itabirano, de Carlos Drummond de Andrade, começa-se assim: «Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. (...)» Minha pergunta é: principalmente é advérbio de tempo, ou modo? Por quê? Grato.Resposta: No contexto que refere, a palavra principalmente é tradicionalmente um advérbio de modo, equivalente a «sobretudo». Esta classificação permite interpretar o verso em que ocorre como...

Consultório

O regionalismo panchão (Macau)

Pergunta: Aqui, em Macau, é largamente utilizado nos diários portugueses, revistas, sites institucionais, etc., bem como na expressão oral diária, um termo que me parece ser só daqui: panchão(ões). O termo é utilizado para designar "petardos" chineses. No interessante trabalho intitulado Glossário do Dialecto Macaense – notas linguísticas, etnográficas e folclóricas (Macau, Instituto Cultural de Macau, 1988), de Graciete Nogueira, o termo poderá ser um...

Consultório

«Ao tempo que não te via»

Pergunta: Como se deve dizer? 1 – «Há o tempo que não te via» (equivalente a «há que tempo que não te via») ou 2 – «Ao tempo que não te via»? Obrigado.Resposta: Em português europeu, pelo menos, no registo informal, a forma efetivamente usada é «ao tempo que (não te via)», com a preposição a, e não «há o tempo que...», que não se atesta como construção equivalente ou mais correta. Também se diz «aos anos que...». Estas expressões são interpretáveis como «há quanto tempo/quantos anos (que) que não te vejo». Se estas expressões não...
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa