Textos publicados pelo autor
Visual e ocular
Pergunta: Sendo visual e ocular ambos relativos à vista, estará mais correcto «contacto visual», ou «contacto ocular»?Resposta: Visual e ocular não significam bem a mesma coisa, porque visual se refere a um dos cinco sentidos, a visão, enquanto ocular é relativo aos olhos, que são os órgãos que permitem essa capacidade. Direi que entre duas pessoas há «contacto visual» (e não «ocular») quando olham uma para a outra; há «contacto ocular» (e não...
Perfazer e "prefazer"
Pergunta: Sei que existe perfazer e julgo que também existe prefazer. Porém, hoje, na RTP1, no programa Bom Dia, Portugal, a responsável pela rubrica Bom Português afirmou que prefazer não existe na língua portuguesa. Ora, penso que existem as duas palavras:
1 – Perfazer, significando «fazer até ao fim», «completar», devido ao prefixo per.
2 – Prefazer, significando «fazer por antecipação»,...
O uso da preposição de na terminologia geológica
Pergunta: A definição e caracterização das diversas unidades estratigráficas (Grupo, Formação, Membro, Camada e Escoada) é feita segundo procedimentos expressos no International Stratigraphic Guide (I.S.G.) da International Commission on Stratigraphy (UNESCO/IUGS – International Union of Geological Sciences). No caso da escolha da designação das unidades estratigráficas, é escolhido da carta topográfica sobre a...
O significado e a origem do ditado «Quem faz festas a galegos é mais galego do que eles!»
Pergunta: Gostaria de saber o significado e a origem do ditado:
«Quem faz festas a galegos é mais galego do que eles!»Resposta: O provérbio em questão inscreve-se directamente em temas como a desconfiança ou a traição, mas nos dias de hoje pode ser considerado como sinal de preconceito. Semanticamente próximo de «diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és», é interpretável como «quem pactua com indesejáveis trai os seus». Registado no Livro dos Provérbios Portugueses, de José Ricardo Marques da Costa (Lisboa, Editorial...
As expressões «mal sequer» e «quase nem sequer»
Pergunta: São pleonásticas, ou redundantes, as expressões «mal sequer» («mal sequer o conheço») e «quase nem sequer» («quase nem sequer dignaram-se a examiná-lo»)? Existe uma regra infalível para identificar o emprego errôneo do pronome lhe? É errado escrever, «estendeu o braço, para que lhe vissem a cicatriz»?Resposta: As ocorrências de sequer com mal e nem não são redundantes, antes, pelo contrário, constituem um reforço da negação. Nos exemplos da pergunta, sucede que as expressões negativas não têm a mesma análise,...
