Xanana Gusmão e a língua portuguesa em Timor - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Xanana Gusmão e a língua portuguesa em Timor
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A língua portuguesa «não é uma questão polémica» em Timor-Leste, afirmou o recém-empossado primeiro-ministro Xanana Gusmão, garantindo a mudança de Governo no país «não afecta minimamente a relação com Portugal».

Xanana Gusmão falava à imprensa no final de um encontro com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português, João Gomes Cravinho, que decorreu em simultâneo com uma reunião do Conselho de Ministros timorense. «Há problemas muito maiores sobre os quais nos debruçamos», declarou Xanana, antes de regressar à sala onde o IV Governo Constitucional discutia (...) o  programa final a apresentar ao Parlamento.

«A língua portuguesa não pode ser uma questão polémica», insistiu o primeiro-ministro, acrescentando: «Mesmo que o currículo comece com o português nos bancos da escola, nós temos segmentos de sociedade em que uns falam português, outros inglês, outros tétum, outros bahasa. Esse é o nosso problema. Há uma geração toda em Timor que nasceu no tempo indonésio e só sabe bahasa. Como resolver esse problema? Sempre dissemos que a reinserção do português aqui é uma questão de tempo.»

Xanana Gusmão  lembrou que «os indonésios estiveram [em Timor-Leste] 24 anos», pelo que «não se pode imaginar que se consegue realizar uma reintrodução do português em cinco anos». Por isso, adiantou, «é preciso responder a questões pontuais, actuais, em termos de educação». E deu um exemplo: «Porque é que o representante da Câmara Municipal de Lisboa foi inaugurar a estrada, que eu pedi, para uma escola e a directora falou em tétum e pediu desculpas por não falar português - porque não aprendeu a língua?»

Xanana Gusmão recordou  ainda que Timor-Leste tem «poucos professores, que não chegam, com má qualidade, e ainda não há cursos de professores, além do da Diocese de Baucau». «São questões de educação e de desenvolvimento. Não se coloca a língua em termos de problema", concluiu.

 

Fonte

notícia da agência de notícias portuguesa Lusa, de 31 de Agosto de 2007