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Mal(dita) alcoolemia

Depois dos malditos "paparazzi" (e mal escritos, quantas vezes), a maldita alcoolemia nas razões que levaram ao acidente mortal de Diana Spencer.
   Maldita e mal dita, como se foi ouvindo nas televisões e rádios portuguesas à medida que chegou a confirmação do estado de quase-embriaguez do condutor do automóvel onde seguia a Princesa de Gales, o namorado e o guarda-costas.
   Alcoolemia, /alkwulemía/ e não "alcoolémia", como erradamente se pronunciou no Jornal de Noite de terça-feira, na SIC. É palavra grave, acentuada na penúltima sílaba, por força do elemento grego -hemia (sangue): álcool + hemia, estado de sangue que contém álcool. E é esse elemento grego -hemia, ensinam os gramáticos e os linguistas, que, trasladado para o latim e, depois, para o português, fez prevalecer a acentuação grave e não esdrúxula.
   Um erro comum idêntico a quando se ouve "leucémia", em vez de /leucemía/. Ou "biópsia", em vez de /biopsía/.

Sobre o autor

Jornalista português, cofundador (com João Carreira Bom) e responsável editorial do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Autor do programa televisivo Cuidado com a Língua!, cuja primeira série se encontra recolhida em livro, em colaboração com a professora Maria Regina Rocha. Ver mais aqui.